Quetiapina
Nomes comerciais:
- Atip®, Atip® XR, Kitapen®, Mensyva®, Neotiapim®, Quepsia® LP, Queropax®, Quet®, Quet® XR, Quetibux®, Quetifren®, Quetipin®, Quetipin® LP, Quetipin® SO, Quetros®, Seroquel®, Seroquel XRO®, Tracox® [2]
Apresentações:
- Comprimidos revestidos de liberação imediata (IR): 25 mg, 100 mg, 200 mg e 300 mg (bula brasileira) [1]; 25 mg, 50 mg, 100 mg, 200 mg, 300 mg e 400 mg (label do FDA) [5]
- Marcas: Seroquel®, Quetipin®, Quet®, Quetros®, e demais similares e genéricos [1][2]
- Comprimidos revestidos de liberação prolongada (LP/XR): 50 mg, 200 mg, 300 mg e 400 mg
- Marcas: Seroquel XRO®, Quetipin® LP, Quet® XR, Atip® XR, Quepsia® LP, e outros [2]
- Pó para reconstituição para suspensão oral: 12,5 mg/mL e 25 mg/mL
- Marca: Quetipin® SO (Cristália) [2]
Posologia:
-
Adultos: [1][5]
- Esquizofrenia:
- Titulação inicial: 25 mg 2x/dia (dia 1), com aumentos de 25–50 mg 2 ou 3x/dia nos dias 2 e 3, atingindo 300–400 mg até o dia 4; ajustes subsequentes em incrementos de 25–50 mg 2x/dia, com intervalo mínimo de 2 dias
- Faixa eficaz: 150–750 mg/dia; dose máxima: 750 mg/dia
- Episódios de mania associados ao TAB (transtorno afetivo bipolar), como monoterapia ou adjuvante ao lítio ou valproato:
- Titulação inicial: 100 mg (dia 1), 200 mg (dia 2), 300 mg (dia 3) e 400 mg (dia 4); a partir do 6º dia, ajustes em incrementos não superiores a 200 mg/dia, até o máximo de 800 mg/dia
- Faixa eficaz: 400–800 mg/dia; dose máxima: 800 mg/dia
- Episódios de depressão associados ao TAB:
- Titulação: 50 mg (dia 1), 100 mg (dia 2), 200 mg (dia 3) e 300 mg (dia 4)
- A bula brasileira permite titular até 400 mg no dia 5 e até 600 mg no dia 8; a eficácia antidepressiva foi demonstrada com 300 mg/dia, e benefício adicional com 600 mg não foi observado em tratamento de curto prazo [1]
- O label do FDA estabelece a dose recomendada e a dose máxima para essa indicação em 300 mg/dia, administrados em dose única à noite [5]
- Manutenção do TAB tipo I em combinação com lítio ou valproato:
- Manter a dose eficaz do tratamento agudo; faixa demonstrada: 400–800 mg/dia; dose máxima: 800 mg/dia [1][5]
- Manutenção do TAB em monoterapia:
- Indicação presente na bula brasileira; faixa: 300–800 mg/dia [1]
- O label do FDA não aprova a quetiapina como monoterapia para manutenção do TAB, uma vez que a eficácia nessa condição não foi sistematicamente avaliada em ensaios clínicos controlados [5]
- Idosos:
- A bula brasileira (formulação IR) recomenda iniciar com 25 mg/dia, com incrementos de 25–50 mg/dia até a dose eficaz [1]
- O label do FDA (também referente à formulação IR, comprimidos Seroquel, H2-Pharma, revisão 4/2026) recomenda iniciar com 50 mg/dia, com incrementos de 50 mg/dia [5]
- Trata-se de uma divergência real entre as duas bulas da formulação IR; em ambas, recomenda-se titulação mais lenta e monitoração cuidadosa no período inicial, particularmente quanto ao risco de hipotensão ortostática e quedas
- A depuração plasmática média é reduzida em 30–50% em idosos em comparação a adultos mais jovens; doses terapêuticas eficazes provavelmente serão menores [1][5]
- Esquizofrenia:
-
Pediátrico: [1][5]
- Esquizofrenia (13–17 anos):
- Titulação: 50 mg (dia 1), 100 mg (dia 2), 200 mg (dia 3), 300 mg (dia 4) e 400 mg (dia 5)
- A partir do 6º dia: ajustar até a faixa eficaz de 400–800 mg/dia; incrementos não superiores a 100 mg/dia; pode ser administrado 2 ou 3x/dia conforme resposta clínica e tolerabilidade
- Segurança e eficácia não estabelecidas em crianças com menos de 13 anos para essa indicação
- Episódios de mania em TAB tipo I (10–17 anos), como monoterapia:
- Titulação: 50 mg (dia 1), 100 mg (dia 2), 200 mg (dia 3), 300 mg (dia 4) e 400 mg (dia 5)
- A partir do 6º dia: ajustar até a faixa eficaz de 400–600 mg/dia; incrementos não superiores a 100 mg/dia; pode ser administrado 2 ou 3x/dia
- Segurança e eficácia não estabelecidas em crianças com menos de 10 anos para essa indicação [5]
- Depressão bipolar e manutenção do TAB em pacientes pediátricos: segurança e eficácia não estabelecidas [1][5]
- Esquizofrenia (13–17 anos):
-
Administração: [1]
- Via oral, com ou sem alimentos
- Para esquizofrenia e mania bipolar em adultos: administrar 2x/dia; em crianças e adolescentes, pode ser administrado 2 ou 3x/dia conforme resposta clínica e tolerabilidade
- Para depressão bipolar em adultos: dose única à noite
- Para manutenção do TAB tipo I em combinação com lítio ou valproato: 2x/dia
- O comprimido de liberação imediata não deve ser partido nem mastigado
- Dose esquecida: tomar assim que lembrar; manter a próxima dose no horário habitual; não dobrar a dose
Ajuste para Insuficiência Renal:
- Adulto: [1][5]
- Não é necessário ajuste de dose
- Em pacientes com insuficiência renal grave (depuração de creatinina de 10–30 mL/min/1,73 m²), a depuração plasmática média da quetiapina é reduzida em aproximadamente 25%; entretanto, os valores individuais de depuração permanecem dentro da faixa observada em indivíduos com função renal normal, o que sustenta a ausência de ajuste posológico sistemático
- Pediátrico:
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico.
Ajuste para Insuficiência Hepática:
- Adulto: [1][5]
- A quetiapina é extensivamente metabolizada pelo fígado. Em pacientes com função hepática prejudicada, a depuração plasmática média é reduzida em aproximadamente 25–30%; em 2 de 8 pacientes estudados, a AUC (área sob a curva) e a Cmáx foram até 3 vezes superiores às observadas em indivíduos saudáveis, indicando variabilidade interindividual significativa nessa população
- Dose inicial: 25 mg/dia
- Titulação: incrementos de 25–50 mg/dia até atingir a dose eficaz, conforme resposta clínica e tolerabilidade individual
- Pediátrico:
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico.
Classe:
- Antipsicótico atípico; dibenzotiazepínico [1][5]
Farmacologia:
-
Mecanismo de ação: [1][5]
- A quetiapina e seu metabólito ativo no plasma humano, a norquetiapina (N-desalquil quetiapina), interagem com ampla gama de receptores de neurotransmissores
- O antagonismo dos receptores de serotonina (5HT2A) e de dopamina (D1 e D2), com maior seletividade pelo 5HT2A em relação ao D2, é responsável pelas propriedades antipsicóticas e pelo baixo risco de efeitos extrapiramidais (EPS) em comparação aos antipsicóticos típicos; a norquetiapina possui maior atividade nos receptores 5HT2A do que a quetiapina
- A norquetiapina inibe o transportador de norepinefrina (NET) e age como agonista parcial do receptor 5HT1A, contribuindo para o efeito antidepressivo do fármaco
- Ambas possuem alta afinidade pelos receptores histamínicos (H1) e alfa1-adrenérgicos (sedação e hipotensão ortostática) e afinidade moderada pelos receptores alfa2-adrenérgicos
- A norquetiapina possui afinidade moderada a alta pelos receptores muscarínicos, o que explica os efeitos anticolinérgicos observados; a quetiapina apresenta afinidade significativamente menor por esses receptores
-
Farmacocinética: [1][5]
- Absorção oral rápida; pico plasmático (Tmax) em aproximadamente 1,5 hora
- A administração com alimentos aumenta a Cmáx em 25% e a AUC em 15%; esse efeito não é clinicamente relevante o suficiente para exigir restrições alimentares
- Volume de distribuição: 10 ± 4 L/kg
- Ligação proteica: aproximadamente 83%
- Meia-vida de eliminação: quetiapina ~6–7 horas; norquetiapina ~12 horas
- Estado de equilíbrio (steady-state): atingido em aproximadamente 2 dias de dosagem regular
- A ocupação dos receptores 5HT2 e D2 é mantida por até 12 horas, sustentando a eficácia com posologia de 2x/dia, a despeito da meia-vida relativamente curta
- Metabolismo: hepático extensivo, predominantemente via CYP3A4; as principais vias metabólicas são a sulfoxidação (metabólito sulfóxido, farmacologicamente inativo) e a oxidação (metabólito ácido, inativo); a norquetiapina também é formada e eliminada por essa via
- A quetiapina e seus metabólitos são inibidores fracos in vitro das enzimas CYP1A2, 2C9, 2C19, 2D6 e 3A4; essa inibição ocorre em concentrações 5–50 vezes maiores que as alcançadas na faixa terapêutica usual, sendo improvável relevância clínica
- Excreção: aproximadamente 73% pela urina e 20–21% pelas fezes; menos de 1% é excretado na forma inalterada, confirmando o extenso metabolismo de primeira passagem
- A farmacocinética é linear dentro da faixa de dose aprovada; sem diferença entre sexos ou raças; tabagismo não interfere na depuração oral
- Idosos (≥ 65 anos): a depuração oral é reduzida em aproximadamente 40% em comparação a adultos jovens [5]
- Crianças e adolescentes (10–17 anos): quando ajustados por dose e peso, a AUC e a Cmáx da quetiapina são 41% e 39% menores que em adultos, respectivamente; para a norquetiapina, a AUC e a Cmáx são 45% e 31% maiores, respectivamente [1][5]
Tipo de Receita:
- Receita de Controle Especial (branca), emitida em 2 vias, com retenção da 1ª via na farmácia; validade de 30 dias [3]
- A quetiapina está incluída na Lista C1 da Portaria SVS/MS nº 344/1998, sendo classificada como substância sujeita a controle especial [3]
- A quantidade dispensada por receita é suficiente para, no máximo, 60 dias de tratamento [3]
Indicações:
-
Adultos: [1][5]
- Esquizofrenia
- Episódios de mania associados ao TAB, como monoterapia ou adjuvante ao lítio ou valproato
- Episódios de depressão associados ao TAB (bipolar I e II)
- Manutenção do TAB tipo I (episódios maníaco, misto ou depressivo) em combinação com lítio ou valproato
- Manutenção do TAB em monoterapia: indicação presente na bula brasileira [1]; o label do FDA não aprovaessa condição como monoterapia, por ausência de avaliação sistemática em ensaios clínicos controlados [5]
-
Pediátrico: [1][5]
- Adolescentes (13–17 anos): esquizofrenia
- Crianças e adolescentes (10–17 anos): episódios de mania associados ao TAB tipo I, como monoterapia
- A quetiapina não é aprovada para uso em pacientes com menos de 10 anos de idade [5]
Contraindicações:
- Hipersensibilidade conhecida à quetiapina ou a qualquer componente da fórmula; reações anafiláticas foram relatadas [1][5]
- Síndrome de má-absorção de glicose-galactose, uma vez que o comprimido contém lactose [1]
- Lactação ou doação de leite humano, conforme a bula brasileira; o label do FDA, por sua vez, não contraindica o uso nessa situação, orientando análise individual de risco-benefício (ver seção Lactação) [1][5]
- Uso em pacientes idosos com psicose relacionada à demência: a quetiapina não é aprovada para essa indicação; pacientes idosos com psicose relacionada à demência tratados com antipsicóticos apresentam risco aumentado de morte (razão de risco de 1,6–1,7 vezes em comparação ao placebo em ensaios controlados com duração modal de 10 semanas), principalmente por causas cardiovasculares (ex.: insuficiência cardíaca, morte súbita) ou infecciosas (ex.: pneumonia) [5]
Efeitos Adversos:
-
Avisos e precauções clínicas relevantes: [5]
- Pensamentos e comportamentos suicidas: o uso de antidepressivos está associado a aumento do risco de ideação e comportamento suicida em crianças, adolescentes e adultos jovens (até 24 anos) em estudos de curto prazo; em pacientes com mais de 24 anos, não houve aumento desse risco, e em pacientes acima de 65 anos, o risco foi reduzido em comparação ao placebo; monitoração rigorosa é recomendada especialmente no início do tratamento e nas mudanças de dose; esse aviso se aplica à quetiapina em razão de sua aprovação para depressão bipolar
- Cataratas: foram observadas alterações no cristalino em adultos, crianças e adolescentes durante tratamento prolongado com quetiapina; relação causal não estabelecida, mas não pode ser excluída; recomenda-se exame com lâmpada de fenda no início do tratamento (ou logo após) e a cada 6 meses durante o uso crônico
- Prolongamento do intervalo QT: embora os ensaios clínicos não tenham demonstrado aumento persistente do QT, há relatos pós-comercialização de prolongamento do QT em situações de superdosagem, em pacientes com condições predisponentes e no uso concomitante de agentes que prolongam o QTc ou que causam distúrbios eletrolíticos; deve-se evitar o uso combinado com antiarrítmicos classe IA (quinidina, procainamida) e classe III (amiodarona, sotalol), outros antipsicóticos (ziprasidona, clorpromazina, tioridazina), antibióticos com potencial de prolongamento do QT (gatifloxacino, moxifloxacino), entre outros
- Quedas: a quetiapina pode causar sonolência, hipotensão postural e instabilidade motora e sensorial, aumentando o risco de quedas e fraturas; recomenda-se avaliação do risco de quedas ao iniciar o tratamento e periodicamente em pacientes em uso crônico
-
Comuns (≥ 1%): [1][5]
- Muito comuns (≥ 10%): sonolência (predominantemente nas duas primeiras semanas, geralmente resolvida com a continuação do tratamento), tontura, boca seca, sintomas de descontinuação abrupta (insônia, náusea, cefaleia, diarreia, vômitos, tontura, irritabilidade; incidência de 12,1%; geralmente resolvidos em 1 semana, com retirada gradual recomendada), elevação de triglicérides séricos, elevação de colesterol total (predominantemente LDL), redução de HDL, ganho de peso (≥ 7% do peso basal, predominantemente nas primeiras semanas em adultos), redução de hemoglobina
- Comuns (1–10%): leucopenia, taquicardia, palpitações, visão borrada, constipação, dispepsia, vômito (especialmente em idosos), astenia leve, edema periférico, irritabilidade, pirexia, elevação assintomática de ALT e de gama-GT (geralmente reversíveis durante o tratamento), redução de neutrófilos, aumento de eosinófilos, hiperglicemia (glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou glicemia sem jejum ≥ 200 mg/dL), elevação de prolactina sérica, alterações nos hormônios tireoidianos: o padrão predominante é a redução dose-dependente de T4 total, T4 livre e T3 total, com intensidade máxima nas primeiras 6 semanas e reversão habitual após a suspensão; elevação de TSH pode ocorrer em subgrupos de pacientes (particularmente em uso adjuvante com estabilizadores de humor), mas não é um achado consistente nos ensaios controlados, sendo a ausência de elevação significativa de TSH compatível com o padrão da síndrome do doente eutireoideo [1][5], disartria, aumento do apetite, dispneia, hipotensão ortostática, sonhos anormais e pesadelos
- Sintomas extrapiramidais (EPS): foram observados em aproximadamente 10–13% dos pacientes adultos com esquizofrenia em ensaios controlados; entretanto, a incidência foi numericamente semelhante à do grupo placebo (em torno de 7–11%), indicando baixa contribuição farmacológica atribuível à quetiapina; esse perfil é consistente com o maior índice de seletividade 5HT2A/D2 do fármaco, que confere menor propensão a EPS em comparação aos antipsicóticos típicos; individualmente, os subtipos de EPS (acatisia, tremor, parkinsonismo, eventos distônicos, eventos discinéticos) apresentaram incidências baixas e similares ao placebo nos estudos controlados [1][5]
-
Raros/Incomuns (< 1%): [1][5]
- Incomuns (0,1–1%): bradicardia (pode estar associada a hipotensão e/ou síncope, especialmente no início do tratamento), disfagia, hipersensibilidade, elevação de AST, trombocitopenia (plaquetas ≤ 100 x 10â ¹/L), redução de T3 livre, convulsão, síndrome das pernas inquietas, discinesia tardia (potencialmente irreversível), síncope, estado confusional, rinite, retenção urinária
- Raros (0,01–0,1%): síndrome neuroléptica maligna (SNM), hipotermia, hepatite (com ou sem icterícia), elevação de CPK (creatinoquinase), agranulocitose (incluindo casos fatais e casos em pacientes sem fatores de risco preexistentes) [5], sonambulismo e outros eventos relacionados ao sono, priapismo, galactorreia, obstrução intestinal/íleo
- Muito raros/frequência desconhecida: reações anafiláticas, abstinência neonatal, rabdomiólise, DRESS (reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos), pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA), eritema multiforme, vasculite cutânea, hiponatremia, SIADH (síndrome de secreção inapropriada de ADH), miocardite, cardiomiopatia, pancreatite, enurese noturna, síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), necrólise epidérmica tóxica (NET), necrose hepática, insuficiência hepática, isquemia de cólon, amnésia retrógrada, apneia do sono [1][5]
-
Reações adversas de maior frequência ou exclusivas em crianças e adolescentes (10–17 anos): [1][5]
- Muito comuns: aumento do apetite, elevação de prolactina sérica, aumento da pressão arterial, vômito
- Comuns: rinite, síncope
- Risco de elevação clinicamente significativa da pressão arterial: incidência de aumento de pressão sistólica ≥ 20 mmHg em 15,2% dos casos (vs. 5,5% no placebo) e de pressão diastólica ≥ 10 mmHg em 40,6% (vs. 24,5% no placebo); monitoração periódica da pressão arterial é recomendada antes e durante o tratamento [5]
- Ganho de peso médio de 2,0 kg (em 6 semanas, estudo em esquizofrenia) e 1,7 kg (em 3 semanas, estudo em mania bipolar); após 26 semanas de seguimento em estudo aberto, ganho médio de 4,4 kg; ao avaliar o ganho de peso em pediatria, deve-se considerar o crescimento normal esperado [1][5]
Interações Medicamentosas:
- Indutores potentes da CYP3A4 (carbamazepina, fenitoína, rifampicina, erva-de-são-joão, barbituratos): reduzem marcadamente as concentrações plasmáticas da quetiapina; a fenitoína, por exemplo, aumentou a depuração oral em 5 vezes; ao iniciar tratamento concomitante crônico (> 7–14 dias) com indutor potente, pode ser necessário aumentar a dose de quetiapina em até 5 vezes; ao suspender o indutor, reduza a dose de quetiapina ao nível original no prazo de 7–14 dias para evitar toxicidade [1][5]
- Inibidores potentes da CYP3A4 (cetoconazol, itraconazol, indinavir, ritonavir, nefazodona e outros antifúngicos azóis e inibidores da protease): o cetoconazol reduziu a depuração oral da quetiapina em 84%, com aumento de 6,2 vezes na AUC; ao usar concomitantemente, recomenda-se reduzir a dose de quetiapina a 1/6 da dose original; ao suspender o inibidor, retornar à dose original [5]
- Tioridazina: aumenta a depuração oral da quetiapina em aproximadamente 65%, podendo reduzir sua eficácia [1][5]
- Cimetidina: reduz a depuração oral da quetiapina em 20%; ajuste de dose geralmente não necessário [5]
- Divalproato (valproato): aumenta a Cmáx da quetiapina em 17% sem alterar a depuração oral; sem relevância clínica significativa [5]
- Depressores do SNC e álcool: a quetiapina potencializa os efeitos cognitivos e motores do álcool; bebidas alcoólicas devem ser evitadas durante o tratamento [1][5]
- Anti-hipertensivos: a quetiapina pode potencializar os efeitos de agentes anti-hipertensivos em razão de suas propriedades de antagonismo alfa1-adrenérgico [5]
- Levodopa e agonistas dopaminérgicos: a quetiapina pode antagonizar os efeitos desses agentes em razão do antagonismo D2 [5]
- Agentes que prolongam o intervalo QTc (antiarrítmicos classe IA e III, antipsicóticos como ziprasidona e clorpromazina, antibióticos como gatifloxacino e moxifloxacino, entre outros) ou que causam desequilíbrio eletrolítico (hipocalemia, hipomagnesemia): usar com cautela ou evitar; risco de torsade de pointes e morte súbita [1][5]
- Medicamentos com efeito anticolinérgico: potencialização dos efeitos anticolinérgicos; risco aumentado de complicações gastrointestinais por hipomotilidade, incluindo obstrução intestinal (incluindo relatos fatais em pacientes em uso concomitante de múltiplos fármacos que reduzem a motilidade intestinal) [1][5]
- ISRSs, IRSNs, inibidores da MAO, antidepressivos tricíclicos: risco de síndrome serotoninérgica, potencialmente fatal; se uso concomitante clinicamente justificado, observação cuidadosa especialmente no início do tratamento [1]
- Lorazepam: a quetiapina reduz a depuração oral do lorazepam em 20%; atenção ao uso concomitante em pacientes mais sensíveis a efeitos depressores do SNC [5]
- Lítio, fluoxetina, imipramina, haloperidol e risperidona: sem alterações farmacocinéticas clinicamente relevantes [1][5]
- Atenção laboratorial: a quetiapina pode causar resultados falso-positivos em imunoensaios para metadona e antidepressivos tricíclicos; resultados questionáveis devem ser confirmados por técnica cromatográfica (ex.: cromatografia líquida ou gasosa) [1][5]
Gestação:
-
Anvisa: [1]
- Categoria de risco C
- A segurança e a eficácia durante a gestação humana não foram estabelecidas
- Foram relatados sintomas de abstinência neonatal após gestações nas quais a quetiapina foi utilizada
- O medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica; utilizar somente se os benefícios justificarem os riscos potenciais
-
FDA: [5]
- O FDA não utiliza mais categorias de risco na gestação
- Risco de sintomas extrapiramidais e/ou de abstinência em neonatos: neonatos expostos à quetiapina no terceiro trimestre apresentam risco de agitação, hipertonia, hipotonia, tremor, sonolência, dificuldade respiratória e dificuldade de alimentação após o parto; a intensidade é variável; a maioria se resolve em horas ou dias sem tratamento específico, mas alguns casos exigiram hospitalização prolongada
- Dados humanos: dados provenientes de estudos observacionais, registros de nascimentos e relatos de caso não estabeleceram associação clara entre o uso de quetiapina durante a gestação e malformações congênitas maiores, aborto espontâneo ou desfechos maternos e fetais adversos; um estudo de coorte retrospectivo com 9.258 mulheres expostas a antipsicóticos durante a gestação não identificou aumento global do risco de malformações maiores
- Dados animais: não houve efeito teratogênico em ratos e coelhos; entretanto, houve evidências de toxicidade embriofetoal (atraso na ossificação esquelética, redução do peso fetal e, em coelhos, maior incidência de flexura carpal/tarsal como anomalia de tecido mole menor) em doses próximas à dose máxima recomendada em humanos (MRHD: 800 mg/dia); toxicidade materna (perda de peso e morte) ocorreu em doses de 1 a 2 vezes a MRHD em coelhos
- Riscos associados à doença não tratada: esquizofrenia e TAB não tratados estão associados a risco aumentado de recaída, hospitalização, suicídio e desfechos perinatais adversos, incluindo parto prematuro; esse contexto deve ser considerado na análise de risco-benefício da manutenção ou suspensão do tratamento durante a gestação
- Registro de exposição: profissionais de saúde nos EUA são encorajados a registrar gestantes expostas à quetiapina no National Pregnancy Registry for Atypical Antipsychotics (telefone: 1-866-961-2388)
Lactação:
-
Anvisa: [1]
- Contraindicada durante o aleitamento materno ou a doação de leite humano
- A quetiapina é excretada no leite humano; os níveis de excreção relatados na literatura não foram consistentes
- O médico deve apresentar alternativas terapêuticas ou para a alimentação do lactente
-
FDA: [5]
- O FDA não contraindica o uso durante a amamentação; a decisão deve ser individualizada com base em análise de risco-benefício
- Dados limitados da literatura indicam que a quetiapina é excretada no leite humano em dose relativa para o lactente inferior a 1% da dose materna ajustada pelo peso, valor considerado baixo
- Não foram relatados eventos adversos consistentes em lactentes expostos à quetiapina pelo leite materno
- Não há informações disponíveis sobre os efeitos da quetiapina na produção de leite
- Os benefícios da amamentação para o desenvolvimento e a saúde do lactente devem ser considerados em conjunto com a necessidade clínica materna e os potenciais riscos para a criança, decorrentes tanto da exposição ao fármaco quanto da condição materna de base não tratada
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
- A bula brasileira do Quetipin® comprimido revestido informa que o comprimido não deve ser partido nem mastigado, não trazendo orientações específicas sobre administração por sonda [1]
- O Manual de Administração de Medicamentos em Pacientes Críticos do InCor-USP (Instituto do Coração da Universidade de São Paulo) orienta que, quando necessária a administração da formulação de comprimido de liberação imediata por sonda nasoentérica/nasogástrica: triturar o comprimido e diluir em 20 mL de água; lavar o tubo da sonda com 10 mL de água após a administração [4]
- As formulações de liberação prolongada (LP/XR) não devem ser trituradas nem administradas por sonda, pois a trituração destrói o mecanismo de liberação controlada, podendo ocasionar liberação súbita e não controlada da dose (efeito dose-dumping) [4]
- A formulação Quetipin® SO (pó para reconstituição para suspensão oral, 12,5 mg/mL e 25 mg/mL, Cristália) constitui alternativa farmacêutica mais adequada para pacientes em uso de sonda, devendo ser considerada quando disponível [2]
Fontes:
[1] Bula do Profissional de Saúde. Quetipin® (hemifumarato de quetiapina). Cristália Prod. Quím. Farm. Ltda. Aprovada em 06/02/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[2] InfoSUS. Quetiapina. Sistema de Informações sobre Medicamentos da Secretaria de Estado de Saúde de Santa Catarina. Disponível em: http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php/Quetiapina
[3] Brasil. Ministério da Saúde. Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998. Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Atualizada pela RDC nº 784/2023. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br
[4] InCor – Instituto do Coração. Manual para Prescrição, Preparo e Administração de Medicamentos em Pacientes Críticos – Cardiologia e Pneumologia. São Paulo: UFARM-InCor-USP. Disponível em: https://www.incor.usp.br/onadocs/SFARM/UFARM-MAN-DUF-010-E003.pdf
[5] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Seroquel (quetiapine) Tablets. Revised: 4/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search


