Pregabalina
Nomes Comerciais:
- Lyrica®, Zeropin®, Prebictal®, Insit®, Konduz®, Infoc®, Dorene Tabs®, Dorene Líquido®, Glya®, Mobale®, Prelavid®, Lycerah®, Gabasolva®, Lyripati®, Comov®, Alond®, Lysugi®, Prefiss®, Jolik®, Neugaba®, Tagdor®, Proleptol®, Ápice®, Gabalgin®, Limiar®
Apresentações:
- Cápsulas duras 25 mg: Lyrica® [3]
- Cápsulas duras 50 mg: Prebictal®, genéricos [3]
- Cápsulas duras 75 mg: Lyrica®, Zeropin®, Prebictal®, e múltiplos genéricos (incluindo Aurobindo, Sanofi Medley, Eurofarma) [3]
- Cápsulas duras 100 mg: Prebictal®, genéricos [3]
- Cápsulas duras 150 mg: Lyrica®, Zeropin®, Prebictal®, e múltiplos genéricos [3]
- Solução oral: Dorene Líquido® [3]
Posologia:
-
Adultos:
- Dor Neuropática (a bula brasileira inclui neuropatia diabética periférica e neuralgia pós-herpética; a eficácia não foi estudada em outros modelos de dor neuropática): [1]
- Dose inicial: 75 mg 2x/dia (150 mg/dia)
- Após 3-7 dias: pode-se aumentar para 150 mg 2x/dia (300 mg/dia)
- Se necessário, após mais 1 semana: até 300 mg 2x/dia (600 mg/dia)
- Nota sobre o label do FDA: para neuropatia diabética periférica especificamente, a dose máxima recomendada é de 300 mg/dia (100 mg 3x/dia), não sendo recomendadas doses superiores por ausência de benefício adicional e maior risco de eventos adversos. Para neuralgia pós-herpética, o FDA permite aumento até 600 mg/dia em pacientes sem resposta suficiente a 300 mg/dia após 2-4 semanas. [2]
- Epilepsia, terapia adjuvante para crises parciais com ou sem generalização secundária: [1]
- Dose inicial: 75 mg 2x/dia (150 mg/dia)
- Após 1 semana: 150 mg 2x/dia (300 mg/dia)
- Dose máxima: 300 mg 2x/dia (600 mg/dia), após mais 1 semana adicional
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG); indicação não aprovada pelo FDA: [1]
- Dose inicial: 75 mg 2x/dia (150 mg/dia)
- Após 1 semana: aumentar para 300 mg/dia
- Após mais 1 semana: pode aumentar para 450 mg/dia
- Dose máxima: 600 mg/dia (após uma semana adicional a 450 mg/dia)
- A necessidade de manutenção do tratamento deve ser reavaliada regularmente
- Fibromialgia: [1]
- Dose-alvo para a maioria dos pacientes: 300 a 450 mg/dia
- Dose inicial: 75 mg 2x/dia (150 mg/dia)
- Após 1 semana: 150 mg 2x/dia (300 mg/dia)
- Se benefício insuficiente: 225 mg 2x/dia (450 mg/dia)
- Dose máxima: 600 mg/dia em casos individualizados; estudos não demonstraram benefício adicional consistente nessa dose em relação a 450 mg/dia, com menor tolerabilidade [1]
- Dor Neuropática por Lesão de Medula Espinhal; indicação não prevista na bula brasileira: [2]
- Dose inicial: 75 mg 2x/dia (150 mg/dia)
- Após 1 semana: 150 mg 2x/dia (300 mg/dia)
- Dose máxima: 300 mg 2x/dia (600 mg/dia), para pacientes sem resposta suficiente após 2-3 semanas
- Pacientes idosos: podem necessitar de redução de dose em função da diminuição da função renal relacionada à idade (ver seção de Ajuste para Insuficiência Renal) [1]
- Dor Neuropática (a bula brasileira inclui neuropatia diabética periférica e neuralgia pós-herpética; a eficácia não foi estudada em outros modelos de dor neuropática): [1]
-
Pediátrico: [1][2]
- A bula brasileira não recomenda o uso em crianças menores de 12 anos e não estabelece segurança ou eficácia em adolescentes (12 a 17 anos) para nenhuma das indicações aprovadas, incluindo epilepsia [1]
- O label do FDA aprova o uso como terapia adjuvante para crises parciais a partir de 1 mês de vida: [2]
- Pacientes com peso ≥30 kg:
- Dose inicial: 2,5 mg/kg/dia
- Dose máxima: 10 mg/kg/dia (não exceder 600 mg/dia)
- Fracionamento: 2 ou 3 doses por dia
- Pacientes com peso <30 kg:
- Dose inicial: 3,5 mg/kg/dia
- Dose máxima: 14 mg/kg/dia
- Fracionamento: 3 doses por dia em lactentes (1 mês a <4 anos); 2 ou 3 doses por dia a partir de 4 anos
- Segurança e eficácia não estabelecidas em menores de 1 mês de vida [2]
- O ajuste de dose pode ser feito aproximadamente a cada semana, com base na resposta clínica e tolerabilidade [2]
- Pacientes com peso ≥30 kg:
-
Administração:
- Pode ser administrada com ou sem alimentos; a alimentação reduz o pico plasmático (Cmáx) em 25-30% e retarda o tempo para o pico (Tmáx) em aproximadamente 2,5 horas, sem impacto clinicamente relevante na biodisponibilidade total [1][2]
- A cápsula não deve ser partida, aberta ou mastigada [1]
- Ao descontinuar o tratamento, reduzir a dose gradualmente ao longo de no mínimo 1 semana; em pacientes com epilepsia, a retirada abrupta pode aumentar a frequência de crises; outros sintomas de retirada incluem insônia, náusea, cefaleia, ansiedade, hiperhidrose e diarreia [1][2]
- Dose esquecida: tomar assim que lembrar; caso esteja próximo do horário da próxima dose, desconsiderar a dose esquecida e retomar o esquema habitual; não duplicar doses [1]
Ajuste para Insuficiência Renal:
- A pregabalina é eliminada predominantemente por excreção renal como fármaco inalterado, sendo o clearance do fármaco diretamente proporcional ao clearance de creatinina (CLcr). O ajuste de dose baseia-se no CLcr, estimado pela fórmula de Cockcroft-Gault: CLcr (mL/min) = [140 – idade (anos)] × peso (kg) × 0,85 (para mulheres) / 72 × creatinina sérica (mg/dL)
-
Adultos: [1]
- CLcr ≥60 mL/min: dose inicial 150 mg/dia; dose máxima 600 mg/dia; 2 ou 3 tomadas ao dia
- CLcr ≥30 a <60 mL/min: dose inicial 75 mg/dia; dose máxima 300 mg/dia; 2 ou 3 tomadas ao dia
- CLcr ≥15 a <30 mL/min: dose inicial 25-50 mg/dia; dose máxima 150 mg/dia; 1 ou 2 tomadas ao dia
- CLcr <15 mL/min: dose inicial 25 mg/dia; dose máxima 75 mg/dia; 1 tomada ao dia
- Pacientes em hemodiálise: ajustar a dose conforme a função renal residual (tabela acima) e administrar dose suplementar única imediatamente após cada sessão de 4 horas de hemodiálise, conforme a dose diária: [1]
- Dose diária de 25 mg: suplementar com 25-50 mg
- Dose diária de 25-50 mg: suplementar com 50-75 mg
- Dose diária de 50-75 mg: suplementar com 75-100 mg
- Dose diária de 75 mg: suplementar com 100-150 mg
- A pregabalina é efetivamente removida por hemodiálise (redução de aproximadamente 50% das concentrações plasmáticas em 4 horas) [1][2]
-
Pediátrico:
- O uso de pregabalina em pacientes pediátricos com insuficiência renal não foi estudado. As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas para esse cenário. [1][2]
Ajuste para Insuficiência Hepática:
-
Adultos: [1][2]
- Nenhum ajuste de dose é necessário. Como a pregabalina sofre metabolismo desprezível e é eliminada predominantemente como fármaco inalterado na urina, a insuficiência hepática não deve alterar significativamente suas concentrações plasmáticas.
-
Pediátrico:
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico para pacientes pediátricos. Por extensão do raciocínio farmacocinético descrito, ajuste de dose para insuficiência hepática não é esperado, porém não está formalmente estabelecido. [1][2]
Classe:
- Gabapentinoide; análogo do ácido gama-aminobutírico (GABA); anticonvulsivante/antiepiléptico e analgésico neuropático [1][2]
Farmacologia:
-
Mecanismo de ação: [1][2]
- A pregabalina liga-se com alta afinidade à subunidade auxiliar alfa2-delta (α2-δ) dos canais de cálcio voltagem-dependentes no SNC
- Essa ligação reduz a liberação de neurotransmissores pró-nociceptivos dependente de cálcio nas terminações nervosas da medula espinhal, sendo o mecanismo proposto para os efeitos antinociceptivo e anticonvulsivante
- A atividade analgésica pode também ser mediada por interações com vias noradrenérgicas e serotoninérgicas descendentes originárias do tronco cerebral
- Apesar de ser um análogo estrutural do GABA, a pregabalina não se liga diretamente aos receptores GABA-A ou GABA-B, não bloqueia canais de sódio e não é ativa em receptores opioides
-
Farmacocinética: [1][2]
- Biodisponibilidade oral: ≥90%, independente da dose
- Tmáx (tempo para pico plasmático): 1-1,5 horas (em jejum); aproximadamente 3 horas (com alimentos)
- Ligação a proteínas plasmáticas: nenhuma
- Volume de distribuição aparente: ~0,5 L/kg
- Metabolismo: desprezível (<2% da dose recuperada como metabólitos na urina)
- Meia-vida de eliminação (t½): aproximadamente 6,3 horas
- Via de eliminação: excreção renal como fármaco inalterado (~90% da dose)
- Estado de equilíbrio (steady state): atingido em 24-48 horas; farmacocinética linear nas doses recomendadas, com variabilidade interindividual baixa (<20%)
- Clearance renal diretamente proporcional ao CLcr, o que fundamenta o ajuste de dose em insuficiência renal
- Em crianças (3 meses a <17 anos): Tmáx de 0,5-2 horas; t½ de 3-4 horas em crianças ≤6 anos e de 4-6 horas em crianças ≥7 anos; clearance por peso corporal é cerca de 40% maior em crianças <30 kg em comparação com crianças ≥30 kg, o que justifica doses maiores (em mg/kg) nesse grupo [2]
Tipo de Receita:
- Receita de Controle Especial (Lista C1 da Portaria SVS/MS 344/98), branca, em duas vias: a 1ª via é retida na farmácia e a 2ª via é entregue ao paciente. Validade de 30 dias a partir da data de emissão. Medicamento com tarja vermelha. [4]
Indicações:
-
Indicações presentes tanto na bula brasileira quanto no label do FDA: [1][2]
- Dor neuropática (eficácia demonstrada em neuropatia diabética periférica e neuralgia pós-herpética; a bula brasileira não detalha eficácia para outros modelos)
- Epilepsia: terapia adjuvante para crises parciais com ou sem generalização secundária
- Fibromialgia
-
Indicação exclusiva da bula brasileira, não aprovada pelo FDA: [1]
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
-
Indicações exclusivas do label do FDA, não previstas na bula brasileira: [2]
- Dor neuropática associada à lesão de medula espinhal (adultos)
- Terapia adjuvante para crises parciais em pacientes a partir de 1 mês de vida (uso pediátrico; a bula brasileira não recomenda o uso em crianças para essa ou qualquer outra indicação) [1][2]
Contraindicações:
- Hipersensibilidade conhecida à pregabalina ou a qualquer componente da fórmula (contraindicação absoluta) [1][2]
- Situações que configuram contraindicação relativa ou exigem cautela extrema:
- Histórico prévio de angioedema, especialmente em pacientes que utilizam inibidores da ECA (risco aumentado de novo episódio) [1][2]
- Uso concomitante com depressores do SNC, em especial opioides, em pacientes com comprometimento respiratório subjacente (risco de depressão respiratória grave e fatal) [1][2]
- Histórico de ideação ou comportamento suicida (monitorar ativamente durante e após o tratamento) [1][2]
- Insuficiência cardíaca congestiva classes III-IV da NYHA (dados limitados; utilizar com cautela) [1][2]
Efeitos Adversos:
- As frequências abaixo baseiam-se na análise consolidada dos ensaios clínicos descritos na bula brasileira. Os eventos pós-comercialização são apresentados separadamente ao final da seção.
-
Muito comuns (≥1/10): [1]
- Tontura e sonolência: são os mais frequentes, têm caráter dose-dependente, ocorrem precocemente no tratamento e representaram as principais causas de descontinuação nos estudos clínicos (4% cada) [1][2]
-
Comuns (≥1/100 e <1/10): [1]
- SNC: ataxia, coordenação anormal, tremores, disartria, amnésia, distúrbios de atenção e memória, parestesia, hipoestesia, sedação, letargia, transtorno de equilíbrio
- Psiquiátrico: humor eufórico, confusão, irritabilidade, depressão, desorientação, insônia, diminuição da libido
- Oftalmológico: visão turva, diplopia
- Auditivo: vertigem
- Gastrointestinal: boca seca, constipação, flatulência, distensão abdominal, vômitos
- Musculoesquelético: cãibras musculares, artralgia, dor nos membros, espasmo cervical, dor lombar
- Geral/metabólico: edema periférico, edema, fadiga, marcha anormal, quedas, sensação de embriaguez, ganho de peso, aumento do apetite
- Infeccioso: nasofaringite
- Em pediatria (crises parciais): aumento de peso, aumento do apetite e sonolência são os mais comuns [2]
-
Incomuns (≥1/1.000 e <1/100): [1]
- Psiquiátrico: alucinações, inquietação, agitação, humor deprimido, humor elevado, mudanças de humor
- SNC: síncope; mioclonia, hiperatividade psicomotora, discinesia, hipotensão postural, nistagmo, transtornos cognitivos, hiporreflexia, hiperestesia, sensação de queimação (nota: "síncope" e "perda de consciência" são termos MedDRA distintos com origens de dados diferentes; "síncope" provém dos ensaios clínicos [1], enquanto "perda de consciência" consta na seção de pós-comercialização da bula brasileira [1]; embora funcionalmente relacionados, não representam a mesma entrada duplicada) [1]
- Cardiovascular: taquicardia; bloqueio atrioventricular de 1º grau e prolongamento do intervalo PR(bloqueio AV de 1º grau é definido pelo PR >200 ms; embora classificados em seções distintas das fontes consultadas, representam o mesmo achado eletrocardiográfico: a bula brasileira classifica o bloqueio AV de 1º grau como "incomum" [1], enquanto o FDA alerta, na seção de advertências, que em doses ≥300 mg/dia houve aumento médio de 3-6 ms no intervalo PR, sem associação com maior risco de bloqueios de grau mais avançado nos estudos controlados) [1][2]; bradicardia sinusal, hipotensão arterial, hipertensão arterial
- Oftalmológico: perda de visão periférica, redução da acuidade visual, dor ocular, fotopsia, olhos secos, inchaço ocular
- Auditivo: hiperacusia
- Respiratório: dispneia, epistaxe, tosse, congestão nasal, rinite, ronco
- Gastrointestinal: refluxo gastroesofágico, hipersecreção salivar, hipoestesia oral
- Musculoesquelético: inchaço articular, mialgia, espasmos musculares, dor cervical, rigidez muscular
- Renal/urinário: incontinência urinária, disúria
- Reprodutivo: disfunção erétil, disfunção sexual, retardo na ejaculação, dismenorreia
- Geral: edema generalizado, aperto no peito, pirexia, astenia
- Lab: elevação de CPK (creatina fosfoquinase); elevação de ALT e AST; diminuição da contagem de plaquetas (classificada como "incomum" na bula brasileira [1]; o FDA alerta, adicionalmente, que 3% dos pacientes tratados vs. 2% no placebo apresentaram redução plaquetária definida por critério específico: queda ≥20% em relação à linha de base E contagem <150.000/μL; esse limiar é mais restritivo que o achado geral de redução plaquetária classificado como incomum, sendo os dados internamente coerentes por referirem-se a populações de corte distintas) [1][2]; diminuição do potássio sérico
-
Raros (<1/1.000): [1]
- Psiquiátrico: crise de pânico, desinibição, apatia
- SNC: estupor, parosmia, hipocinesia, ageusia, disgrafia
- Cardiovascular: taquicardia sinusal e arritmia sinusal (nota: "taquicardia" e "taquicardia sinusal" são termos MedDRA distintos, classificados com frequências independentes na bula brasileira; a diferença de frequência entre os dois reflete essa distinção terminológica e não implica hierarquia clínica entre subtipos de taquicardia) [1]
- Respiratório: aperto na garganta, secura nasal
- Gastrointestinal: ascite, pancreatite, disfagia
- Musculoesquelético: rabdomiólise
- Renal: insuficiência renal, oligúria
- Reprodutivo: dor mamária, amenorreia, secreção de mama, ginecomastia [1]
-
Pós-comercialização: [1][2]
- Nota: as frequências indicadas nessa seção refletem a classificação adotada pela bula brasileira [1], que atribui categorias de frequência a algumas reações pós-comercialização baseadas em dados de farmacovigilância; os eventos sem frequência atribuída são indicados como "frequência desconhecida."
- Depressão respiratória (frequência desconhecida): relatos graves, incluindo óbitos, foram documentados na pós-comercialização; o risco é substancialmente maior em uso concomitante com depressores do SNC (especialmente opioides) e em pacientes com comprometimento respiratório prévio (DPOC, apneia obstrutiva, comprometimento neurológico); nesses grupos, vigilância redobrada é mandatória [1][2]
- Angioedema (Raro): comprometimento potencialmente fatal das vias aéreas superiores (face, lábios, língua, laringe e faringe); suspender pregabalina imediatamente [1]
- Hipersensibilidade (Incomum) e reação alérgica (Raro): incluem eritema cutâneo, urticária, vesículas, dispneia e sibilância; suspender imediatamente [1][2]
- Síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica (Raros): reações mucocutâneas graves que podem ser de risco de vida ou fatais; a pregabalina deve ser suspensa imediatamente diante de qualquer sinal ou sintoma sugestivo, e tratamento alternativo deve ser considerado [1]
- Comportamento suicida e ideação suicida (Raros): observados também após a descontinuação do medicamento; monitorar o paciente durante e após o tratamento [1]
- Insuficiência cardíaca congestiva (Raro) [1]
- Edema pulmonar (Raro) [1]
- Náusea e diarreia (Comuns) [1]
- Edema de língua (Raro) [1]
- Retenção urinária (Raro) [1]
- Ceratite (Raro) [1]
- Aumento mamário (Raro): evento pós-comercialização distinto da ginecomastia, que já consta na seção de Raros dos ensaios clínicos [1][2]
- Perda de consciência e comprometimento cognitivo (Incomuns): nota: "perda de consciência" e "síncope" são termos MedDRA distintos com origens de dados diferentes; "síncope" provém dos ensaios clínicos [1] e "perda de consciência" da seção de farmacovigilância da bula brasileira [1]; a diferença de origem não implica dois eventos clínicos independentes, mas reflete a estrutura terminológica e metodológica das duas fontes de dados [1]
- Pênfigo bolhoso (bullous pemphigoid): frequência não estabelecida [2]
- Obstrução intestinal e íleo paralítico, especialmente em uso concomitante com opioides; frequência não estabelecida [1][2]
- Piora da função renal com melhora após redução de dose ou descontinuação; frequência não estabelecida [1]
- Encefalopatia, especialmente em pacientes com condições de base predisponentes; frequência não estabelecida [1]
- Cefaleia (Muito comum, conforme classificação da seção de farmacovigilância da bula brasileira [1]; esta frequência é derivada de dados pós-comercialização e difere da frequência observada nos ensaios clínicos, nos quais a cefaleia não foi classificada como "muito comum") [1]
- Agressividade (Incomum) [1]
Interações Medicamentosas:
-
Interações farmacocinéticas: [1][2]
- A pregabalina não apresenta interações farmacocinéticas clinicamente relevantes, pois é eliminada sem metabolismo hepático significativo, não se liga a proteínas plasmáticas e não inibe enzimas CYP. Não foram observadas interações com os principais antiepilépticos (carbamazepina, valproato, lamotrigina, fenitoína, fenobarbital, topiramato, gabapentina), anticoncepcionais orais (noretisterona, etinilestradiol), hipoglicemiantes (glibenclamida, insulina, metformina), diuréticos (furosemida) ou lorazepam.
-
Interações farmacodinâmicas clinicamente relevantes: [1][2]
- Depressores do SNC (opioides, benzodiazepínicos, álcool, outros sedativos/hipnóticos): efeito aditivo sobre sedação, comprometimento cognitivo e coordenação motora, com risco de depressão respiratória grave e potencialmente fatal. Em estudo observacional, o uso concomitante de pregabalina com opioides foi associado a aumento no risco de morte relacionada ao opioide (odds ratio ajustada: 1,68; IC 95%: 1,19-2,36) [1]
- Tiazolidinedionas (pioglitazona, rosiglitazona): aumento aditivo de edema periférico e ganho de peso; cautela especial em pacientes com cardiopatia, pelo risco de piora ou desencadeamento de insuficiência cardíaca [1][2]
- Inibidores da ECA: possível aumento do risco de angioedema em uso concomitante [2]
- Medicamentos com potencial para causar constipação (especialmente opioides): relatos pós-comercialização de redução da motilidade do trato gastrointestinal inferior, com obstrução intestinal e íleo paralítico [1][2]
Gestação:
-
Anvisa: [1]
- Categoria C
- Não deve ser utilizada durante a gravidez, a menos que o benefício para a mãe justifique claramente o risco potencial ao feto; mulheres com potencial reprodutivo devem utilizar métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento
- Um estudo observacional envolvendo mais de 2.700 gestações expostas (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia) não indicou riscos substancialmente aumentados de grandes malformações congênitas: razão de prevalência ajustada de 1,13 (IC 95%: 0,96-1,33). Também não foram identificados sinais de risco aumentado para natimortos, baixo peso ao nascer, parto prematuro, TDAH, transtornos do espectro autista ou deficiência intelectual
- Em estudos com animais, toxicidade fetal (malformações esqueléticas, ossificação retardada, redução do peso fetal) foi observada somente em exposições marcadamente superiores às humanas
-
FDA: [2]
- Estudos observacionais sugerem possível pequeno aumento na taxa de grandes malformações congênitas; os dados são inconsistentes entre os estudos, sem padrão específico de defeito identificado. As limitações metodológicas incluem incapacidade de controlar adequadamente para as doenças de base e outros fatores confundidores
- Em animais, foram observadas malformações estruturais, ossificação retardada e redução do peso fetal em exposições ≥16 vezes a exposição humana na dose máxima recomendada (600 mg/dia); efeitos sobre sobrevivência e desenvolvimento neurológico da prole foram observados em exposições ≥2 vezes a exposição humana na dose máxima recomendada
- Síndrome de abstinência neonatal foi descrita em recém-nascidos expostos a gabapentinoides in utero por período prolongado, quando associados à exposição a opioides próximo ao parto; os sinais incluem taquipneia, vômitos, diarreia, hipertonia, irritabilidade, tremores, hipersecreção nasal e dificuldade alimentar; monitorar neonatos expostos e conduzir conforme necessário
- Gestantes que usam pregabalina podem ser registradas voluntariamente no North American Antiepileptic Drug (NAAED) Pregnancy Registry (telefone 1-888-233-2334 ou www.aedpregnancyregistry.org)
Lactação:
-
Anvisa: [1]
- A pregabalina é excretada no leite materno; a concentração média no estado de equilíbrio no leite corresponde a aproximadamente 76% da concentração plasmática materna
- A dose diária média estimada recebida pelo lactente pelo leite materno (considerando consumo médio de 150 mL/kg/dia) é de 0,31 mg/kg/dia, equivalente a aproximadamente 7% da dose materna em base mg/kg
- A amamentação não é recomendada durante o tratamento; a decisão deve considerar o benefício da amamentação para a criança e o benefício do tratamento para a mãe
-
FDA: [2]
- A amamentação não é recomendada, principalmente pelo potencial risco de tumorigenicidade identificado em estudos com animais; os dados clínicos disponíveis não permitem conclusão definitiva sobre esse risco em humanos
- Os dados farmacocinéticos de exposição do lactente são semelhantes aos descritos na bula brasileira
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
- A bula brasileira orienta que a cápsula não deve ser partida, aberta ou mastigada [1]
- As fontes consultadas (bula ANVISA e label do FDA) não fornecem orientações específicas sobre administração por sonda
- Não há aprovação formal para uso por sonda nasogástrica ou nasoenteral nesta apresentação. Segundo fonte especializada voltada a profissionais de saúde, as evidências disponíveis sugerem que é provavelmente seguro abrir as cápsulas e dissolver o conteúdo em água para administração por sonda enteral, sendo este, contudo, um uso não licenciado; profissionais devem consultar referências especializadas antes de adotar essa prática [5]
- Quando disponível, a formulação em solução oral (ex.: Dorene Líquido®) representa alternativa com menor risco de oclusão da sonda e uso mais padronizado nesse contexto [3][5]
Fontes:
[1] Bula do Profissional de Saúde. Pregabalina (pregabalina). Aurobindo Pharma Indústria Farmacêutica Ltda. Aprovada em 30/03/2026. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[2] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Pregabalin Capsules. Revised: 6/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search
[3] InformSUS. Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina. Pregabalina. Disponível em: http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php/Pregabalina . Acesso em: 09 jun. 2026.
[4] Morsch JA. Receita de pregabalina: como renovar pela internet. Telemedicina Morsch. Disponível em: https://telemedicinamorsch.com.br/blog/pregabalina-receita . Acesso em: 09 jun. 2026.
[5] Swallowing Difficulties (ChangeMed Ltd). Pregabalin. Disponível em: https://www.swallowingdifficulties.com/product/pregabalin. Acesso em: 09 jun. 2026.


