Felodipino + Succinato de Metoprolol
Nomes comerciais:
- Selozok Fix® (AstraZeneca do Brasil Ltda.)
Apresentações:
- Comprimido revestido de liberação prolongada: felodipino 5 mg + succinato de metoprolol 47,5 mg (equivalente a tartarato de metoprolol 50 mg), embalagem com 30 comprimidos (Selozok Fix®)
Posologia:
- Adultos: [1]
- Dose inicial: 1 comprimido (5/50 mg) uma vez ao dia
- Se necessário, pode ser aumentada para 2 comprimidos (10/100 mg) uma vez ao dia
- Idosos: [1]
- Em geral, 1 comprimido (5/50 mg) uma vez ao dia é suficiente
- Se necessário, a dose pode ser aumentada para 2 comprimidos uma vez ao dia
- Pediátrico: [1]
- De acordo com as experiências clínicas disponíveis, o Selozok Fix® não deve ser utilizado em crianças
- Administração: [1]
- Via oral, preferencialmente pela manhã
- Deve ser ingerido inteiro com água; não deve ser partido, amassado ou mastigado
- Pode ser tomado em jejum ou após refeição leve com baixo teor de gorduras e carboidratos
- Não administrar com suco de grapefruit (pomelo): flavonoides presentes nesta bebida inibem o CYP3A4 e elevam as concentrações plasmáticas de felodipino
- Dose esquecida: tomar assim que lembrar, desde que haja pelo menos 12 horas até a próxima dose programada. Se o intervalo for inferior a 12 horas, desconsiderar a dose esquecida e retomar o esquema habitual
- Interrupção: não interromper abruptamente; quando necessário, reduzir a dose gradualmente ao longo de 10 a 14 dias. Pacientes com doença cardíaca isquêmica conhecida devem ser acompanhados com especial cautela nesse período, dado o risco aumentado de eventos coronarianos, incluindo morte súbita
Ajuste para Insuficiência Renal:
- Adulto: [1]
- Não é necessário ajuste de dose. A farmacocinética do felodipino não é alterada na insuficiência renal, incluindo em pacientes em hemodiálise. A biodisponibilidade e a eliminação do metoprolol também não são modificadas; contudo, observa-se acúmulo de metabólitos do metoprolol em pacientes com velocidade de filtração glomerular (VFG) inferior a 5 mL/min. Esse acúmulo, entretanto, não resulta em aumento do efeito betabloqueador
- Pediátrico: [1]
- O medicamento não é recomendado para uso pediátrico; as fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose nessa população
Ajuste para Insuficiência Hepática:
- Adulto: [1]
- Em geral, não é necessário ajuste de dose em pacientes com cirrose hepática, pois o metoprolol possui baixa taxa de ligação proteica (5-10%). Quando há sinais de comprometimento hepático importante, como em pacientes submetidos à cirurgia de derivação porta-cava, não devem ser administradas doses superiores a 5/50 mg ao dia. Pacientes com anastomose porta-cava apresentaram depuração total de metoprolol de aproximadamente 0,3 L/min e valores de ASC (área sob a curva de concentração plasmática vs. tempo) até 6 vezes maiores que indivíduos saudáveis. O felodipino também apresenta concentrações plasmáticas médias mais elevadas em pacientes com função hepática reduzida
- Pediátrico: [1]
- O medicamento não é recomendado para uso pediátrico; as fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose nessa população
Classe:
- Antagonista de cálcio diidropiridínico (felodipino) com betabloqueador beta-1 seletivo (succinato de metoprolol); anti-hipertensivo de ação complementar [1]
Farmacologia:
- Mecanismo de ação: [1]
- Felodipino: antagonista de cálcio seletivo para a musculatura lisa vascular, que reduz a pressão arterial pela diminuição da resistência vascular sistêmica. Devido ao alto grau de seletividade arteriolar, não exerce efeito direto sobre a contratilidade ou condução cardíaca em doses terapêuticas e não está associado a hipotensão ortostática. Apresenta discreto efeito natriurético/diurético, sem retenção de líquidos. Possui ação antianginal e anti-isquêmica pela melhora do equilíbrio entre oferta e demanda miocárdica de oxigênio
- Metoprolol: betabloqueador beta-1 seletivo, que age sobre receptores cardíacos em doses muito menores que as necessárias para influenciar receptores beta-2 (localizados principalmente em vasos periféricos e brônquios). Reduz o estímulo adrenérgico sobre o coração, diminuindo frequência cardíaca, débito cardíaco, contratilidade e pressão arterial. Não apresenta atividade agonista parcial nem efeito estabilizador de membrana clinicamente relevante
- A combinação dos dois mecanismos complementares (redução da resistência periférica + redução do débito cardíaco) resulta em maior eficácia anti-hipertensiva com tolerabilidade similar ou superior às monoterapias isoladas; a redução pressórica é eficaz e uniforme ao longo das 24 horas do intervalo de dose
- Farmacocinética: [1]
- Felodipino:
- Biodisponibilidade sistêmica: aproximadamente 15%, independente da dose na faixa terapêutica
- Ligação proteica: aproximadamente 99% (predominantemente à fração de albumina)
- Metabolismo: extensivo, hepático, via CYP3A4; todos os metabólitos identificados são inativos
- Eliminação: depuração sanguínea média de 1.200 mL/min; cerca de 70% da dose excretada como metabólitos na urina e o restante nas fezes; menos de 0,5% da dose é recuperada inalterada na urina
- A formulação de liberação prolongada garante concentrações plasmáticas dentro da faixa terapêutica por 24 horas; não há acúmulo significativo em uso de longo prazo
- Idosos e pacientes com função hepática reduzida apresentam concentrações plasmáticas médias mais elevadas; a farmacocinética não é alterada na insuficiência renal (inclusive em hemodiálise)
- Metoprolol:
- A formulação de liberação controlada apresenta concentração plasmática máxima (Cmax) reduzida em comparação à forma convencional, sem impacto na eficácia clínica, pois a ASC sobre a frequência cardíaca é equivalente entre as duas formulações
- Ligação proteica: baixa, aproximadamente 5-10%
- Meia-vida de eliminação: média de 3,5 horas (variação: 1 a 9 horas); a formulação LP assegura concentração plasmática constante ao longo de 24 horas
- Metabolismo: oxidativo hepático, primariamente via CYP2D6; três metabólitos principais identificados, sem ação betabloqueadora de relevância clínica
- Eliminação: mais de 95% de uma dose oral recuperada na urina; aproximadamente 5% na forma inalterada (podendo chegar a 30% em casos isolados); depuração total de aproximadamente 1.000 mL/min
- A velocidade de liberação é independente de pH, presença de alimentos e peristaltismo
- Idosos não apresentam alterações significativas na farmacocinética; a biodisponibilidade e eliminação não são modificadas na insuficiência renal, mas há acúmulo de metabólitos com VFG inferior a 5 mL/min (sem aumento do efeito betabloqueador); na insuficiência hepática grave com anastomose porta-cava, a biodisponibilidade pode aumentar e a depuração total reduzir significativamente
- Combinação: a associação não altera a farmacocinética de nenhum dos componentes; a absorção de ambos é completa e independente da ingestão de alimentos com baixo teor de gordura
- Felodipino:
Tipo de Receita:
- Receituário simples (tarja vermelha); venda sob prescrição médica, sem necessidade de receituário de controle especial [1]
Indicações:
- Adultos (uso exclusivo): [1]
- Tratamento da hipertensão arterial após falha terapêutica na monoterapia
- Tratamento da hipertensão arterial em pacientes com perfil de risco cardiovascular alto e/ou muito alto
Contraindicações: [1]
- Hipersensibilidade ao felodipino, ao metoprolol (incluindo outros diidropiridinos ou betabloqueadores) ou a qualquer componente da fórmula
- Gravidez
- Infarto agudo do miocárdio
- Angina do peito instável
- Bloqueio atrioventricular (BAV) de segundo ou terceiro grau
- Obstrução hemodinamicamente significativa de válvula cardíaca
- Obstrução dinâmica do fluxo de saída
- Insuficiência cardíaca não compensada instável (edema pulmonar, hipoperfusão ou hipotensão) ou pacientes em uso de terapia inotrópica contínua ou intermitente com agonistas do receptor beta
- Bradicardia sinusal clinicamente relevante
- Síndrome do nó sino-atrial, exceto na presença de marcapasso permanente em uso
- Choque cardiogênico
- Arteriopatia periférica grave
- Suspeita de infarto agudo do miocárdio com: frequência cardíaca inferior a 45 bpm, intervalo PQ superior a 0,24 s ou pressão arterial sistólica inferior a 100 mmHg
- Feocromocitoma sem bloqueio alfa-adrenérgico previamente estabelecido: em pacientes com feocromocitoma suspeito ou confirmado, o Selozok Fix® somente pode ser utilizado se o bloqueio alfa-adrenérgico adequado já estiver previamente estabelecido. O uso de betabloqueador sem cobertura alfa em pacientes com feocromocitoma pode precipitar crise hipertensiva grave, por bloqueio dos receptores beta-2 vasodilatadores com consequente hiperatividade alfa-adrenérgica sem oposição
- Intolerância hereditária à galactose ou síndrome de má-absorção de glicose-galactose (o comprimido contém lactose)
- Atenção: o metoprolol pode causar doping; aplicável a atletas submetidos a controle antidoping
Efeitos Adversos: [1]
-
Muito comuns e comuns (≥ 1/100):
- Felodipino: edema periférico (muito comum), cefaleia, ruborização
- Metoprolol: fadiga (muito comum), bradicardia, palpitações, alterações posturais (muito raramente com síncope), extremidades frias (mãos e pés), tontura, cefaleia, náusea, dor abdominal, diarreia, constipação, dispneia de esforço
-
Incomuns (≥ 1/1.000 e < 1/100):
- Felodipino: tontura, parestesia, taquicardia, palpitações, hipotensão, náusea, dor abdominal, exantema, prurido, fadiga
- Metoprolol: deterioração dos sintomas de insuficiência cardíaca, BAV de primeiro grau, dor precordial, parestesia, vômitos, ganho de peso, câimbras musculares, depressão, dificuldade de concentração, sonolência ou insônia, pesadelos, broncoespasmo, edema, exantema, sudorese aumentada
-
Raros e muito raros (< 1/1.000):
- Felodipino: síncope, vômito, hiperplasia gengival, gengivite, elevação de enzimas hepáticas, urticária, reações de fotossensibilidade, vasculite leucocitoclástica, mialgia, artralgia, impotência/disfunção sexual, polaciúria, angioedema, febre
- Metoprolol: distúrbios da condução cardíaca, arritmias cardíacas, gangrena (em pacientes com arteriopatia periférica grave pré-existente), rinite, distúrbios da visão, irritação e/ou ressecamento dos olhos, conjuntivite, zumbido, alterações nos testes de função hepática, hepatite, trombocitopenia, boca seca, artralgia, nervosismo, ansiedade, amnésia/comprometimento da memória, confusão, alucinações, reações de fotossensibilidade, agravamento da psoríase, queda de cabelo, impotência/disfunção sexual, distúrbios do paladar
Interações Medicamentosas: [1]
-
Interações mediadas pelo felodipino (substrato do CYP3A4):
- Inibidores do CYP3A4 elevam as concentrações plasmáticas de felodipino: cimetidina, eritromicina, itraconazol, cetoconazol e suco de grapefruit/pomelo. Cautela e monitoramento recomendados
- Indutores do CYP3A4 reduzem as concentrações plasmáticas de felodipino: fenitoína, carbamazepina, rifampicina, barbitúricos e Hypericum perforatum (Erva de São João)
- Tacrolimo: o felodipino pode elevar suas concentrações séricas; monitorar níveis e ajustar a dose de tacrolimo conforme necessário
- Ciclosporina: as concentrações plasmáticas de ciclosporina não são alteradas pelo felodipino
-
Interações mediadas pelo metoprolol (substrato do CYP2D6):
- Inibidores do CYP2D6 elevam as concentrações plasmáticas de metoprolol: antiarrítmicos, anti-histamínicos, antagonistas do receptor H2 de histamina, antidepressivos, antipsicóticos e inibidores da COX-2
- Rifampicina: reduz as concentrações plasmáticas de metoprolol
- Álcool e hidralazina: podem elevar as concentrações plasmáticas de metoprolol
- Verapamil e diltiazem: potencializam os efeitos negativos sobre inotropismo e cronotropismo; a administração intravenosa de verapamil em pacientes em uso de Selozok Fix® é contraindicada
- Antiarrítmicos (quinidina, amiodarona): potencialização dos efeitos negativos sobre inotropismo e cronotropismo
- Glicosídeos digitálicos: podem aumentar o tempo de condução atrioventricular e induzir bradicardia
- Bloqueadores ganglionares simpáticos, outros betabloqueadores (incluindo colírios) e inibidores da MAO (monoaminoxidase): cautela especial, com risco de efeitos hemodinâmicos aditivos
- Clonidina: se a associação for descontinuada, o Selozok Fix® deve ser suspenso vários dias antes da retirada da clonidina
- Anestésicos inalatórios: potencializam o efeito cardiodepressor
- AINEs (incluindo indometacina): podem reduzir o efeito anti-hipertensivo do medicamento
- Epinefrina: betabloqueadores cardioseletivos interferem muito menos com o controle pressórico comparado aos não seletivos
- Hipoglicemiantes orais: pode ser necessário ajuste de dose; atenção para possível mascaramento dos sinais de hipoglicemia pelo metoprolol
Gestação:
- ANVISA: [1]
- Categoria de risco C. O uso de Selozok Fix® é contraindicado durante a gravidez. Estudos em ratos com felodipino demonstraram prolongamento do parto, trabalho de parto difícil, aumento de mortes fetais e pós-natais precoces em doses médias e altas. Estudos em coelhos evidenciaram anormalidades digitais dose-dependentes nos fetos e aumento reversível das glândulas mamárias maternas; as anomalias fetais foram observadas quando o felodipino foi administrado nos primeiros períodos do desenvolvimento fetal
Lactação:
- ANVISA: [1]
- O felodipino é detectado no leite materno; contudo, em doses terapêuticas maternas, é improvável que produza efeitos sobre o lactente. O metoprolol pode, em tese, causar bradicardia no lactente, mas a quantidade transferida pelo leite materno em doses terapêuticas parece ser insignificante para produzir efeito betabloqueador clinicamente relevante. Os dados disponíveis são insuficientes para avaliação plena dos riscos ao lactente. O uso durante a lactação deve ser criterioso e somente realizado mediante avaliação do médico assistente
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
- A bula determina expressamente que os comprimidos de Selozok Fix® não devem ser partidos, amassados ou mastigados [1], pois trata-se de formulação de liberação prolongada cuja integridade estrutural é indispensável para a liberação controlada de ambos os princípios ativos ao longo das 24 horas. A trituração ou fragmentação do comprimido para administração por sonda destruiria esse mecanismo, resultando em liberação imediata (dose-dumping) com risco de hipotensão grave e bradicardia. Portanto, a administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral não é recomendada. Não existe apresentação de liberação imediata ou formulação líquida desta associação de dose fixa registrada no Brasil que pudesse ser utilizada como alternativa nessa situação
Fontes:
[1] Bula do Profissional de Saúde. Selozok® Fix (felodipino + succinato de metoprolol). AstraZeneca do Brasil Ltda. Aprovada em 05/09/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/


