Desvenlafaxina

Nomes comerciais:

  • Pristiq®, Andes®, Deller®, Desduo®, Desve®, Desventag®, Imense®, Vellana®, Vendexla®, Zodel®

Apresentações:

  • Comprimidos revestidos de liberação controlada/prolongada 50 mg:

    • Pristiq®: embalagens com 7 ou 28 comprimidos [1]
    • Deller®: embalagens com 7, 30 ou 60 comprimidos [2]
    • Demais marcas similares e genéricos: embalagens variadas conforme fabricante [4]
  • Comprimidos revestidos de liberação controlada/prolongada 100 mg:

    • Pristiq®: embalagens com 28 comprimidos [1]
    • Deller®: embalagens com 7, 30 ou 60 comprimidos [2]
    • Demais marcas similares e genéricos: embalagens variadas conforme fabricante [4]
  • Observação: No Brasil, a desvenlafaxina está disponível exclusivamente nas concentrações de 50 mg e 100 mg. A apresentação de 25 mg, prevista no label americano para desmame gradual, não está disponível no mercado nacional. [3]


Posologia:

  • Adultos:

    • Dose recomendada: 50 mg uma vez ao dia, com ou sem alimentos. A dose de 50 mg é simultaneamente a dose inicial e a dose terapêutica eficaz. [1][2][3]
    • Escalonamento de dose: Não há evidência de que doses superiores a 50 mg/dia ofereçam benefício adicional. A bula brasileira prevê escalonamento cauteloso, com base em julgamento clínico individual, em intervalos de no mínimo 7 dias, com dose máxima de 200 mg/dia. [1][2] O label americano não estabelece dose máxima formal; os estudos clínicos avaliaram até 400 mg/dia, com efeitos adversos e descontinuações mais frequentes em doses superiores a 50 mg. [3]
    • Descontinuação: A retirada deve ser feita de forma gradual, evitando-se interrupção abrupta sempre que possível. [1][2][3] Se surgirem sintomas intoleráveis após redução de dose, pode-se retornar à dose prévia e proceder à diminuição mais lenta. Em alguns pacientes, o processo de retirada pode ocorrer ao longo de meses. A bula americana dispõe de comprimidos de 25 mg para esse fim, apresentação não disponível no Brasil. [3]
  • Pediátrico:

    • A segurança e a eficácia em pacientes menores de 18 anos não foram estabelecidas. O medicamento não é aprovado para uso pediátrico. [1][2][3]
  • Idosos:

    • Não há necessidade de ajuste de dose exclusivamente com base na idade. Entretanto, uma possível redução da depuração renal deve ser considerada ao se definir a posologia. Há maior incidência de hipotensão ortostática sistólica em pacientes com 65 anos ou mais. [1][2]
  • Administração:

    • Administrar por via oral, uma vez ao dia, preferencialmente no mesmo horário. [1][2][3]
    • Os comprimidos devem ser deglutidos inteiros, com líquido; não devem ser partidos, abertos, mastigados ou dissolvidos, pois isso comprometeria o mecanismo de liberação controlada. [1][2][3]
    • Pode ser administrado com ou sem alimentos. [1][2][3]
    • O paciente pode observar, nas fezes, a matriz inerte do comprimido após a absorção do princípio ativo — trata-se do excipiente do sistema de liberação, e não do princípio ativo não absorvido. [1][2]
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre dose esquecida.

Ajuste para Insuficiência Renal:

  • Adulto:

    • IR leve (CrCl 24h = 50–80 mL/min): A AUC aumenta ~42% e a t½ é prolongada para ~13,5 h. Não há recomendação de ajuste de dose específico, embora a exposição esteja aumentada. [1][2][3]
    • IR moderada (CrCl 24h = 30–50 mL/min): A AUC aumenta ~56% e a t½ é prolongada para ~15,5 h. A bula americana recomenda dose máxima de 50 mg/dia [3]. As bulas brasileiras recomendam não escalonar a dose nessa população. [1][2]
    • IR grave (CrCl 24h = 15–29 mL/min) e Doença Renal em Estágio Terminal – DRET (CrCl < 15 mL/min): A AUC aumenta ~108% (IR grave) e ~116% (DRET), com t½ prolongada para ~17,6 e ~22,8 h, respectivamente. Dose recomendada: 50 mg em dias alternados. [1][2][3] O label americano também admite 25 mg/dia como alternativa, mas essa apresentação não está disponível no Brasil. [3]
    • Após hemodiálise: Não devem ser administradas doses suplementares, pois menos de 5% do fármaco é removido em sessão de hemodiálise padrão de 4 horas. [1][2][3]
  • Pediátrico:

    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico.

Ajuste para Insuficiência Hepática:

  • Adulto:

    • IH leve (Child-Pugh A): AUC equivalente à de indivíduos saudáveis (diferença < 5%); t½ ~10 h. Nenhum ajuste de dose é necessário. [1][2][3]
    • IH moderada (Child-Pugh B): AUC aumentada em ~31%; clearance reduzido em ~20%; t½ prolongada para ~13 h. A dose recomendada é de 50 mg/dia. Escalonamento acima de 100 mg/dia não é recomendado. [1][2][3]
    • IH grave (Child-Pugh C): AUC aumentada em ~35%; clearance reduzido em ~36%; t½ prolongada para ~14 h. A dose recomendada é de 50 mg/dia. Escalonamento acima de 100 mg/dia não é recomendado. [1][2][3] Os valores de AUC e clearance refletem médias observadas nos estudos de farmacocinética e podem não seguir relação linear estrita, dada a variabilidade interindividual.
  • Pediátrico:

    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico.

Classe:

  • Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN) [1][2][3]

Farmacologia:

  • Mecanismo de ação:

    • O mecanismo antidepressivo exato não é completamente elucidado, mas está relacionado à potenciação da atividade da serotonina e da noradrenalina no sistema nervoso central (SNC) por inibição de sua recaptação. [1][2][3]
    • A desvenlafaxina é o principal metabólito ativo da venlafaxina (O-desmetilvenlafaxina). [1][2][3]
    • Não possui afinidade significativa para receptores muscarínico-colinérgicos, histaminérgicos H1 ou α1-adrenérgicos, o que explica o menor perfil de efeitos anticolinérgicos, sedativos e cardiovasculares em relação a antidepressivos mais antigos. [1][2][3]
    • Não inibe a monoaminoxidase (MAO). [1][2][3]
    • Sem atividade significativa no canal de potássio cardíaco hERG in vitro — sem risco de prolongamento do intervalo QT. [1][2]
  • Farmacocinética:

    • Biodisponibilidade oral: ~80% [1][2][3]
    • Tmáx: ~7,5 horas após administração oral [1][2]
    • Meia-vida terminal (t½): ~11 horas [1][2][3]
    • Estado de equilíbrio (steady state): atingido em aproximadamente 4 a 5 dias com administração diária [1][2][3]
    • Ligação a proteínas plasmáticas: ~30%, baixa e independente da concentração [1][2][3]
    • Volume de distribuição (Vd): 3,4 L/kg (indicativo de distribuição em compartimentos extravasculares) [1][2][3]
    • Metabolismo: primariamente por conjugação via isoformas da UGT (UGT1A1, UGT1A3, UGT2B4, UGT2B15, UGT2B17) e, em menor grau, por oxidação via CYP3A4 (N-desmetilação). A via CYP2D6 não está envolvida, portanto a farmacocinética é semelhante em metabolizadores lentos e extensivos dessa enzima. [1][2][3]
    • Excreção urinária: ~45% inalterada; ~19% como metabólito glicuronídeo; < 5% como metabólito oxidativo (N,O-didesmetilvenlafaxina). [1][2][3]
    • Efeito de alimentos: refeições gordurosas aumentam a Cmáx em ~16%, sem impacto clinicamente relevante na AUC. Pode ser tomada com ou sem alimentos. [1][2][3]
    • Farmacocinética linear e proporcional à dose entre 50 e 600 mg/dia. [1][2][3]
    • Não inibe nem induz CYP1A2, 2A6, 2C8, 2C9, 2C19, 2D6 ou 3A4; não é substrato nem inibidor da glicoproteína P. [1][2][3]
    • Início da ação: o tempo médio estimado para o início de efeitos farmacológicos iniciais (como melhora do sono, da energia e da ansiedade) é de até 7 dias. [1][2] Esse prazo refere-se ao surgimento de efeitos precoces e não deve ser interpretado como o período de avaliação da resposta antidepressiva plena, que tipicamente requer tratamento por período mais prolongado.

Tipo de Receita:

  • Receita de Controle Especial em 2 (duas) vias, em razão da inclusão da desvenlafaxina na Lista C1 (Outras Substâncias Sujeitas a Controle Especial) da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998. [5]
    • Uma via é retida pela farmácia; a outra é devolvida ao paciente.
    • Validade da receita: 30 dias a partir da data de emissão. [5]
    • Quantidade máxima prescrita por receita: suficiente para tratamento de até 60 dias. [5]

Indicações:

  • Adultos: Tratamento do Transtorno Depressivo Maior (TDM). [1][2][3]
  • O medicamento não é indicado para uso em nenhuma população pediátrica. [1][2][3]

Contraindicações:

  • Hipersensibilidade ao succinato de desvenlafaxina, ao cloridrato de venlafaxina ou a qualquer excipiente da formulação. [1][2][3]
  • Uso concomitante com IMAOs destinados ao tratamento de distúrbios psiquiátricos, ou início da desvenlafaxina dentro de 14 dias após descontinuação de um IMAO. [1][2][3]
  • Início de um IMAO dentro de 7 dias após a interrupção da desvenlafaxina. [1][2][3]
  • Uso em pacientes em tratamento com linezolida (IMAO não seletivo reversível) ou azul de metileno intravenoso, em virtude do risco aumentado de síndrome serotoninérgica. [1][2][3]
  • Pacientes com ângulos iridocorneanos estreitos não tratados (glaucoma de ângulo fechado). [3]

Efeitos Adversos:

  • Advertência de segurança — risco de ideação e comportamento suicida:

    • Antidepressivos, incluindo a desvenlafaxina, aumentam o risco de pensamentos e comportamentos suicidas em crianças, adolescentes e adultos jovens até 24 anos com transtorno depressivo maior e outros transtornos psiquiátricos, conforme demonstrado em análises agrupadas de estudos controlados por placebo de curto prazo. Em adultos acima de 24 anos não foi demonstrado aumento desse risco; em adultos com 65 anos ou mais, houve redução do risco em comparação ao placebo. [1][2][3]
    • Todos os pacientes que iniciam tratamento com desvenlafaxina devem ser monitorados de forma rigorosa para piora da depressão, agitação, irritabilidade, alterações incomuns de comportamento e ideação suicida, especialmente nas primeiras semanas de tratamento e após qualquer ajuste de dose — tanto aumentos quanto reduções. [1][2][3]
    • Familiares e cuidadores devem ser orientados sobre a necessidade de observação próxima e comunicação imediata com o prescritor em caso de sintomas preocupantes. [1][2][3]
    • A desvenlafaxina não é aprovada para uso em pacientes com menos de 18 anos. [1][2][3]
  • Muito comuns (≥ 1/10): [1][2]

    • Psiquiátricos: insônia
    • Sistema nervoso: dor de cabeça, tontura, sonolência
    • Gastrointestinais: náusea, boca seca
    • Pele: hiperhidrose
  • Comuns (≥ 1/100 a < 1/10): [1][2]

    • Psiquiátricos: síndrome de abstinência (na descontinuação), ansiedade, nervosismo, sonhos anormais, irritabilidade, redução da libido, anorgasmia
    • Sistema nervoso: tremor, parestesia, distúrbios de atenção, disgeusia (alteração do paladar)
    • Oculares: visão borrada, midríase
    • Ouvido e labirinto: vertigem, tinido (zumbido)
    • Cardíacos: taquicardia, palpitação
    • Vasculares: aumento da pressão arterial, fogachos
    • Respiratórios: bocejos
    • Gastrointestinais: diarreia, vômitos, constipação
    • Pele: rash
    • Musculoesqueléticos: rigidez musculoesquelética
    • Sistema reprodutivo (homens): disfunção erétil, ejaculação tardia
    • Gerais: fadiga, astenia, calafrios, sensação de nervosismo
    • Metabólicos/nutrição: redução do apetite
    • Laboratoriais: alteração em testes de função hepática, aumento ou redução de peso
  • Incomuns (≥ 1/1000 a < 1/100): [1][2]

    • Imunológicos: hipersensibilidade
    • Psiquiátricos: despersonalização, orgasmo anormal
    • Sistema nervoso: síncope, discinesia
    • Vasculares: hipotensão ortostática (incidência maior em pacientes ≥ 65 anos [1][2][3]), extremidades frias
    • Respiratórios: epistaxe
    • Renais/urinários: retenção urinária, hesitação urinária, proteinúria (geralmente transitória, sem elevação de creatinina ou ureia)
    • Sistema reprodutivo (homens): distúrbio de ejaculação, falha na ejaculação
    • Laboratoriais: aumento de colesterol sérico, triglicérides e prolactina
  • Raros (≥ 1/10.000 a < 1/1.000): [1][2]

    • Metabólicos: hiponatremia (associada à síndrome de secreção inadequada do hormônio antidiurético – SSIHAD; maior risco em idosos e em uso de diuréticos)
    • Psiquiátricos: mania, hipomania, alucinação
    • Sistema nervoso: síndrome serotoninérgica, convulsão, distonia
    • Cardíacos: cardiomiopatia de Takotsubo
    • Gastrointestinais: pancreatite aguda
    • Pele: Síndrome de Stevens-Johnson, angioedema, reação de fotossensibilidade
  • Identificados no pós-comercialização (FDA): [3]

    • Anosmia, hiposmia

Interações Medicamentosas:

  • IMAOs psiquiátricos (selegilina, tranilcipromina, fenelzina, isocarboxazida) e IMAOs reversíveis (linezolida, azul de metileno IV): contraindicados pelo risco de síndrome serotoninérgica grave. Respeitar intervalo de washout de ≥ 14 dias após IMAO antes de iniciar desvenlafaxina, e de ≥ 7 dias após desvenlafaxina antes de iniciar IMAO. Em caso de necessidade urgente de linezolida ou azul de metileno, descontinuar desvenlafaxina imediatamente, monitorar por 2 semanas ou até 24 h após a última dose desses agentes, e retomar a desvenlafaxina 24 h após. [1][2][3]

  • Outros agentes serotoninérgicos (ISRSs, outros IRSNs, triptanos, antidepressivos tricíclicos, opioides como fentanila, tramadol, meperidina, metadona, dextrometorfano, tapentadol, pentazocina, lítio, anfetaminas, buspirona, triptofano, erva de São João): aumentam o risco de síndrome serotoninérgica. Usar com cautela e monitorar; o uso concomitante com suplementos de triptofano não é recomendado. [1][2][3]

  • Anticoagulantes e antiplaquetários (AAS, AINEs, varfarina, outros anticoagulantes): o efeito da desvenlafaxina na recaptação plaquetária de serotonina pode potencializar o risco de sangramento, incluindo hemorragia gastrointestinal. Monitorar cuidadosamente, especialmente ao iniciar ou descontinuar a desvenlafaxina em pacientes em uso de varfarina. [1][2][3]

  • Inibidores potentes de CYP3A4 (ex.: cetoconazol): aumentam a AUC da desvenlafaxina em ~43% (interação fraca); uso concomitante pode resultar em concentrações elevadas da desvenlafaxina. [1][2][3]

  • Substratos da CYP2D6 (desipramina, atomoxetina, dextrometorfano, metoprolol, nebivolol, tolterodina, perfenazina): a desvenlafaxina pode aumentar as concentrações desses fármacos, especialmente em doses mais elevadas; na dose terapêutica habitual de 50–100 mg/dia, o impacto é clinicamente pouco relevante. [1][2][3]

  • Substratos da CYP3A4 (ex.: midazolam): a desvenlafaxina pode reduzir a exposição a esses fármacos em ~29–31%. Esses dados foram obtidos em estudos conduzidos com doses de desvenlafaxina de 100 a 400 mg/dia; o impacto clínico na dose habitual de 50 mg/dia pode ser menor. [1][2][3]

  • Álcool: não potencializa o comprometimento das habilidades motoras/mentais, mas deve ser evitado durante o tratamento. [1][2][3]

  • Interferência em exames laboratoriais: pode causar resultado falso-positivo em imunoensaios urinários de triagem para fenciclidina (PCP) e anfetamina; testes confirmatórios por cromatografia gasosa/espectrometria de massa distinguem a desvenlafaxina dessas substâncias. [1][2][3]


Gestação:

  • Anvisa: [1][2]

    • Categoria C de risco na gravidez. A desvenlafaxina só deve ser utilizada durante a gestação se os benefícios esperados superarem os riscos potenciais; não deve ser usada sem orientação médica.
    • Estudos demonstraram que a desvenlafaxina atravessa a placenta humana.
    • Exposição no final do 3º trimestre: risco de síndrome de abstinência/descontinuação neonatal, com complicações que podem incluir necessidade de suporte respiratório, alimentação por sonda e hospitalização prolongada; os sintomas podem surgir imediatamente após o parto.
    • Exposição do meio ao final da gravidez: possível aumento do risco de pré-eclâmpsia.
    • Exposição próxima ao parto: possível aumento do risco de hemorragia pós-parto.
    • Dados de Coorte de Gravidez do Quebec: hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (HPPN) identificada em 0,2% dos neonatos expostos a IRSNs na segunda metade da gravidez; não foi possível estabelecer significância estatística para o risco aumentado.
    • Um estudo longitudinal prospectivo mostrou que mulheres com histórico de TDM que interromperam antidepressivos durante a gravidez apresentaram maior taxa de recidiva depressiva.
  • FDA: [3]

    • Não existem estudos publicados especificamente com desvenlafaxina em gestantes; os dados disponíveis são extrapolados de estudos com venlafaxina (molécula-mãe) e de IRSNs em geral.
    • Risco de hemorragia pós-parto: estudos retrospectivos de coorte mostraram associação entre uso de venlafaxina até o parto e aumento do risco de hemorragia pós-parto (adj. RR de 1,64 a 2,24 em diferentes estudos). Exposição a IRSNs por ≥ 15 dias no último mês de gravidez ou até o parto foi associada a aumento de risco.
    • Risco de pré-eclâmpsia: dados retrospectivos de coorte associaram uso de venlafaxina ≥ 75 mg/dia por > 30 dias (2º trimestre ou início do 3º trimestre) ao aumento do risco de pré-eclâmpsia (adj. RR 1,57; IC 95%: 1,29–1,91). Há limitações metodológicas.
    • Complicações neonatais (exposição no 3º trimestre tardio): os neonatos podem apresentar distúrbios respiratórios, cianose, apneia, convulsões, instabilidade térmica, dificuldade de alimentação, vômitos, hipoglicemia, hipotonia, hipertonia, hiper-reflexia, tremor, irritabilidade e choro constante — compatível com efeito tóxico direto ou síndrome de abstinência/descontinuação neonatal. Em alguns casos, o quadro pode ser consistente com síndrome serotoninérgica.
    • Estudos em animais: sem teratogenicidade nas doses testadas; fetotoxicidade e mortalidade de crias em exposições ~4,5 vezes acima da dose adulta humana de 100 mg/dia.
    • Nos EUA, existe o Registro Nacional de Gravidez para Antidepressivos (National Pregnancy Registry for Antidepressants: 1-844-405-6185).

Lactação:

  • Anvisa: [1][2]

    • A desvenlafaxina (O-desmetilvenlafaxina) é excretada no leite humano. Não foram relatados eventos adversos nas mães ou nos lactentes, porém o efeito nos lactentes não foi estabelecido. O uso deve ocorrer apenas se os benefícios superarem os riscos possíveis. É recomendado uso criterioso no aleitamento materno.
  • FDA: [3]

    • Dados publicados limitados mostram baixos níveis de desvenlafaxina no leite humano.
    • Em um estudo farmacocinético com 10 mulheres em aleitamento (média de 4,3 meses pós-parto) em uso de 50–150 mg/dia de desvenlafaxina, a dose relativa infantil média calculada foi de 6,8% (variação: 5,5–8,1%), sendo esse valor geralmente considerado baixo.
    • Nenhum evento adverso foi observado nos lactentes no referido estudo.
    • Não há dados sobre os efeitos da desvenlafaxina na produção de leite.
    • Os benefícios do aleitamento materno, a necessidade clínica materna e os potenciais riscos ao lactente devem ser considerados conjuntamente na decisão terapêutica.

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • A desvenlafaxina na forma de comprimidos revestidos de liberação controlada/prolongada não é adequada para administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral. As bulas contraindicam expressamente a fragmentação, abertura, mastigação ou dissolução dos comprimidos, pois esses procedimentos comprometeriam o mecanismo de liberação controlada, resultando em liberação imediata e abrupta de todo o princípio ativo, com potencial de toxicidade e perda do perfil farmacocinético esperado. [1][2][3]
  • Não existe apresentação líquida de desvenlafaxina disponível no Brasil. Caso seja imprescindível a administração por sonda, recomenda-se avaliação clínica para substituição por antidepressivo disponível em formulação líquida ou com comprimido que permita trituração.

Fontes:

[1] Bula do Profissional de Saúde. Pristiq® (succinato de desvenlafaxina monoidratado). Pfizer Brasil Ltda. Aprovada em 03/10/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[2] Bula do Profissional de Saúde. Deller® (succinato de desvenlafaxina monoidratado). Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. Aprovada em 18/03/2026. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[3] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Desvenlafaxine Extended-Release Tablets. Revised: 4/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search 

[4] OTomd a Psiquiatria. Desvenlafaxina — nomes comerciais disponíveis no Brasil. Disponível em: https://otomdapsiquiatria.com/desvenlafaxina/ 

[5] Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 63, de 27 de setembro de 2007. Inclui a desvenlafaxina na Lista C1 (Outras Substâncias Sujeitas a Controle Especial) da Portaria SVS/MS nº 344/1998. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2007/rdc0063_27_09_2007.html