Fluvoxamina

Nomes comerciais:

  • Luvox®, Revoc®

Apresentações:

  • Comprimidos revestidos de 50 mg:

    • Embalagens com 8 ou 30 comprimidos: Luvox®, Revoc®
  • Comprimidos revestidos de 100 mg:

    • Embalagens com 30 ou 60 comprimidos: Luvox®, Revoc®

Posologia:

  • Adultos:

    • Depressão (indicação aprovada apenas no Brasil; ver seção Indicações): [1][2]
      • Dose inicial: 50 mg ou 100 mg em dose única, ao anoitecer
      • Dose eficaz: geralmente 100 mg/dia, ajustada conforme resposta individual
      • Dose máxima: 300 mg/dia
      • Doses acima de 150 mg/dia: dividir em 2 ou mais tomadas
      • Prevenção de recorrência: 100 mg em dose única diária
      • Duração mínima recomendada pela OMS após episódio depressivo: pelo menos 6 meses após a recuperação
    • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC):
      • Bulas brasileiras: [1][2]
        • Dose inicial: 50 mg/dia por 3-4 dias
        • Dose eficaz: 100-300 mg/dia, com aumentos graduais até obtenção de resposta clínica
        • Doses de até 150 mg: administrar preferencialmente em dose única ao anoitecer
        • Doses acima de 150 mg/dia: dividir em 2 a 3 tomadas diárias
        • Dose máxima: 300 mg/dia
        • Ausência de melhora em 10 semanas: reavaliar o tratamento
      • FDA label: [3]
        • Dose inicial: 50 mg ao deitar
        • Titulação: aumentar 50 mg a cada 4-7 dias, conforme tolerância
        • Dose máxima: 300 mg/dia
        • Doses acima de 100 mg/dia: dividir em 2 tomadas; se as doses forem desiguais, a maior deve ser administrada ao deitar
    • Idosos: dose inicial mais baixa e titulação mais lenta são recomendadas em ambas as fontes, sem especificação de dose exata; recomenda-se ajuste cauteloso e individualizado [1][2][3]
  • Pediátrico (a partir de 8 anos — exclusivamente para TOC):

    • Bulas brasileiras: [1][2]
      • Dose inicial: 50 mg/dia por 3-4 dias, com aumento gradual conforme resposta
      • Dose máxima: 200 mg/dia para crianças a partir de 8 anos e adolescentes
      • Doses acima de 150 mg/dia: dividir em 2 a 3 tomadas
    • FDA label: [3]
      • Dose inicial: 25 mg ao deitar (dose inicial menor que a das bulas brasileiras)
      • Titulação: aumentar 25 mg a cada 4-7 dias, conforme tolerância
      • Doses acima de 50 mg/dia: dividir em 2 tomadas; dose maior ao deitar se houver doses desiguais
      • Dose máxima: 200 mg/dia para crianças de 8 a 11 anos; até 300 mg/dia para adolescentes de 12 a 17 anos
      • Em meninas, o efeito terapêutico pode ser alcançado com doses menores, dado o maior nível plasmático observado nesse grupo
    • Divergência entre fontes: As bulas brasileiras limitam a dose máxima a 200 mg/dia para todos os pacientes pediátricos a partir de 8 anos. O FDA label permite que adolescentes de 12 a 17 anos recebam até 300 mg/dia (dose máxima do adulto). [1][2][3]
  • Administração:

    • Via oral, com água; pode ser administrado com ou sem alimentos [1][2][3]
    • Os comprimidos podem ser divididos em duas partes iguais; a parte não utilizada deve ser guardada na embalagem original e administrada em no máximo 1 dia [1][2]
    • Os comprimidos não devem ser mastigados [1][2]
    • Descontinuação: redução gradual da dose por pelo menos 1-2 semanas, evitando-se a interrupção abrupta [1][2][3]; em caso de sintomas intoleráveis, retornar à dose anterior e realizar redução mais lenta [1][2][3]
    • Dose esquecida: tomar assim que lembrar; se estiver próximo ao horário da próxima dose, pular a dose esquecida e retomar no horário habitual; não administrar duas doses ao mesmo tempo [3]

Ajuste para Insuficiência Renal:

  • Adulto:
    • A farmacocinética da fluvoxamina é similar em adultos saudáveis e pacientes com insuficiência renal [1][2]
    • O FDA label confirma ausência de acúmulo do fármaco em pacientes com clearance de creatinina de 5 a 45 mL/min tratados com 50 mg duas vezes ao dia por 4 a 6 semanas [3]
    • Ainda assim, as bulas brasileiras recomendam iniciar com doses baixas e monitorar cuidadosamente [1][2]
  • Pediátrico:
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas para pacientes pediátricos com insuficiência renal. Recomenda-se cautela e monitoramento, seguindo o mesmo princípio do adulto [1][2]

Ajuste para Insuficiência Hepática:

  • Adulto:
    • A depuração da fluvoxamina é reduzida em aproximadamente 30% em pacientes com disfunção hepática [1][2][3]
    • Iniciar com doses baixas e titular lentamente, com monitoramento cuidadoso [1][2][3]
    • Raramente, o uso de fluvoxamina foi associado a elevação de enzimas hepáticas acompanhada de sintomas clínicos; nesse caso, descontinuar o tratamento [1][2]
  • Pediátrico:
    • As fontes consultadas não dispõem de dados específicos para pacientes pediátricos com insuficiência hepática. Recomenda-se seguir o mesmo princípio do adulto [1][2]

Classe:

  • Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS) [1][2][3]

Farmacologia:

  • Mecanismo de ação: [1][2][3]
    • Inibidor potente e seletivo da recaptação de serotonina (5-HT) em neurônios cerebrais, tanto in vitro quanto in vivo, presumivelmente o mecanismo responsável pela eficácia no TOC e na depressão
    • Afinidade mínima por subtipos de receptores de serotonina e por receptores alfa e beta-adrenérgicos, histaminérgicos, muscarínicos e dopaminérgicos (o que explica o perfil favorável de efeitos cardiovasculares, sedativos, anticolinérgicos e extrapiramidais em comparação com outros psicofármacos)
    • Alta afinidade pelos receptores sigma-1, onde atua como agonista em doses terapêuticas — propriedade que distingue a fluvoxamina dos demais ISRSs [1][2]
  • Farmacocinética: [1][2][3]
    • Biodisponibilidade absoluta: ~53% (metabolismo de primeira passagem)
    • Tmax (tempo até pico plasmático): 3-8 horas após administração oral
    • Ligação proteica: 80% (principalmente à albumina), na faixa de concentrações de 20 a 2.000 ng/mL
    • Volume de distribuição: ~25 L/kg (ampla distribuição tecidual)
    • Início do efeito terapêutico clínico inicial: estimado em aproximadamente 2 semanas [1][2]; para o TOC, a reavaliação do tratamento está prevista após 10 semanas de uso sem melhora [1][2]; a resposta plena ao TOC pode exigir períodos mais prolongados de tratamento.
    • Meia-vida: 13-15 horas após dose única; 15-22 horas com doses repetidas (estado de equilíbrio — steady state)
    • Steady state: atingido em 10-14 dias
    • Metabolismo: hepático extenso, principalmente por desmetilação oxidativa; origina pelo menos 9 metabólitos excretados por via renal; os principais metabólitos não possuem atividade farmacológica significativa; aproximadamente 2% excretado inalterado na urina; ~94% dos produtos relacionados ao fármaco recuperados na urina em 71 horas [3]
    • Farmacocinética não linear com doses repetidas: concentrações de steady state são mais altas do que as previstas a partir de dados de dose única, e esse aumento desproporcional é mais pronunciado com doses diárias maiores [1][2][3]
    • Perfil de inibição de CYP e metabolismo: [1][2][3]
      • A fluvoxamina é inibidora potente de CYP1A2 e CYP2C19; inibidora moderada de CYP2C9 e CYP3A4
      • A classificação da inibição de CYP2D6 varia entre as fontes: as bulas brasileiras classificam-na como inibição "moderada" [1][2], ao passo que referências clínicas de interações medicamentosas (Lexicomp, Micromedex, guia do FDA para estudos de DDI) tendem a classificá-la como inibição fraca. Na prática clínica, a fluvoxamina não deve ser equiparada a inibidores potentes de CYP2D6 como fluoxetina e paroxetina no que se refere ao manejo de interações via essa isoenzima
      • O próprio fármaco é metabolizado principalmente pelas isoenzimas CYP1A2 e CYP2D6: as bulas indicam a CYP2D6 como principal via in vitro [1][2], e o FDA label documenta que fumantes (que induzem CYP1A2) apresentam metabolismo 25% maior da fluvoxamina [3], o que evidencia o envolvimento clinicamente relevante da CYP1A2 no metabolismo in vivo
  • Populações especiais: [1][2][3]
    • Idosos: clearance reduzido em ~50%, Cmax ~40% maior, meia-vida 17,4-25,9 horas — justificando o início com doses menores e titulação mais lenta
    • Crianças (6-11 anos): concentrações plasmáticas em steady state 2-3x maiores que as de adolescentes; meninas apresentam AUC e Cmax significativamente maiores que meninos na mesma faixa etária e dose, o que justifica doses terapêuticas menores nesse subgrupo
    • Adolescentes: exposição plasmática similar à de adultos em doses equivalentes
    • Fumantes: metabolismo da fluvoxamina aumentado em 25% — relevante clinicamente em razão do papel da CYP1A2 na via metabólica do fármaco [3]

Tipo de Receita:

  • Receita de Controle Especial em duas vias (branca) — substância classificada na Lista C1 (Outras Substâncias Sujeitas a Controle Especial), conforme a Portaria SVS/MS nº 344/1998 [4][5]
    • Primeira via retida no estabelecimento farmacêutico; segunda via devolvida ao paciente
    • Validade da receita: 30 dias a partir da data de emissão
    • Quantidade máxima por receita: até 60 dias de tratamento

Indicações:

  • Adultos: [1][2]
    • Transtorno depressivo maior e sintomas do transtorno depressivo (indicação válida apenas no Brasil; esta indicação não consta no FDA label)
    • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
  • Pediátrico (a partir de 8 anos): [1][2][3]
    • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) — única indicação aprovada para a faixa etária
    • O uso para depressão em pacientes com menos de 18 anos é contraindicado [1][2]
  • O FDA label aprova a fluvoxamina exclusivamente para TOC (em adultos e crianças a partir de 8 anos), não incluindo depressão como indicação aprovada nos EUA [3]

Contraindicações:

  • Hipersensibilidade conhecida ao maleato de fluvoxamina ou a qualquer excipiente da fórmula [1][2][3]
  • Uso concomitante com tizanidina: a fluvoxamina aumenta a Cmax da tizanidina em ~12x e a AUC em ~33x, com risco de hipotensão grave (queda de até 35 mmHg na PAS), bradicardia e sedação intensa [1][2][3]
  • Uso concomitante com pimozida: risco de QT prolongado e Torsades de Pointes [1][2][3]
  • Uso concomitante com ramelteon: AUC aumentada ~190x e Cmax ~70x [1][2][3]
  • Uso concomitante com alosetron [3]
  • Uso concomitante com tioridazina: triplicação das concentrações plasmáticas, com risco de prolongamento do intervalo QTc e arritmias ventriculares graves [3]; casos isolados de toxicidade cardíaca também relatados nas bulas brasileiras [1][2]
  • Tratamento da depressão em pacientes com menos de 18 anos [1][2]
  • Tratamento do TOC em pacientes com menos de 8 anos [1][2]
  • Uso concomitante com iMAOs (risco de síndrome serotoninérgica potencialmente fatal): [1][2][3]
    • Bulas brasileiras: o tratamento com fluvoxamina pode ser iniciado 2 semanas após a descontinuação de um iMAO irreversível, ou 1 dia após a descontinuação de um iMAO reversível (ex.: moclobemida, linezolida). Ao término da fluvoxamina, aguardar pelo menos 1 semana antes de iniciar qualquer iMAO [1][2]
    • FDA label: aguardar pelo menos 14 dias entre a descontinuação de qualquer iMAO e o início da fluvoxamina; e igualmente 14 dias entre a descontinuação da fluvoxamina e o início de um iMAO — a fonte americana não distingue iMAOs reversíveis de irreversíveis [3]
    • Divergência entre fontes: o intervalo recomendado após a suspensão da fluvoxamina antes do início de um iMAO difere entre as fontes: 1 semana nas bulas brasileiras e 14 dias no FDA label. Em razão das potenciais consequências graves (síndrome serotoninérgica), recomenda-se adotar o intervalo mais conservador (14 dias) na dúvida clínica [1][2][3]
    • Ambas as fontes contraindicam o início da fluvoxamina em paciente em uso de linezolida ou azul de metileno intravenoso [1][2][3]

Efeitos Adversos:

  • Comuns (1-10%): [1][2][3]

    • Gastrintestinais: náusea (reação mais frequente, ocorre em ~40% vs. ~14% no placebo, com tendência à redução nas primeiras semanas), dispepsia, diarreia, constipação, dor abdominal, vômito, boca seca, anorexia
    • Sistema nervoso: sonolência, insônia, nervosismo, vertigem, tremor, agitação, ansiedade, cefaleia
    • Gerais: astenia, mal-estar, hiperidrose (sudorese)
    • Cardiovascular: palpitação/taquicardia; discreta redução da frequência cardíaca (2-6 bpm) [1][2]
    • Sexual (adultos): ejaculação anormal/retardada, diminuição da libido, anorgasmia, impotência
    • Pediátrico: agitação, hipercinesia, depressão, flatulência, dismenorreia, rash [1][2][3]
  • Incomuns (0,1-1%): [1][2]

    • Psiquiátricos: alucinações, confusão, agressão
    • Neurológicos: distúrbios extrapiramidais, ataxia
    • Vasculares: hipotensão ortostática
    • Cutâneos: reações de hipersensibilidade (edema angioneurótico, erupção cutânea, prurido)
    • Musculoesqueléticos: artralgia, mialgia
  • Raros (0,01-0,1%): [1][2]

    • Psiquiátricos: mania
    • Neurológicos: convulsão
    • Hepáticos: alteração da função hepática
    • Cutâneos: reações de fotossensibilidade
    • Sexual: galactorreia
  • Frequência desconhecida / Pós-comercialização: [1][2][3]

    • Síndrome serotoninérgica; síndrome neuroléptica maligna
    • Hiponatremia (possivelmente por SIADH — Síndrome da Secreção Inapropriada do Hormônio Antidiurético; risco maior em idosos e pacientes em uso de diuréticos)
    • Acatisia/inquietação psicomotora; parestesia; disgeusia
    • Glaucoma; midríase
    • Hemorragias (gastrointestinal, ginecológica, equimose, púrpura, hemorragia pós-parto)
    • Hiperprolactinemia; alterações menstruais; anorgasmia; disfunção sexual persistente após descontinuação do ISRS
    • Fratura óssea (risco aumentado principalmente em pacientes ≥50 anos em uso de ISRSs)
    • Ideação e comportamentos suicidas (durante o tratamento ou após a descontinuação)
    • Síndrome de descontinuação (incluindo síndrome neonatal de descontinuação)
    • Pós-comercialização FDA: insuficiência renal aguda, agranulocitose, anafilaxia, anemia aplásica, hepatite, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, vasculite, taquicardia ventricular (incluindo Torsades de Pointes) [3]

Interações Medicamentosas:

  • Contraindicadas (coadministração contraindicada): [1][2][3]

    • iMAOs: risco de síndrome serotoninérgica grave ou fatal
    • Tizanidina: aumento extremo da exposição (AUC ~33x), com risco de hipotensão grave e sedação
    • Tioridazina: triplicação das concentrações, com risco de Torsades de Pointes
    • Pimozida: risco de QT prolongado e arritmias ventriculares graves
    • Ramelteon: aumento ~190x da AUC
    • Alosetron: aumento ~6x da AUC [3]
  • Monitorar/ajustar dose: [1][2][3]

    • Benzodiazepínicos metabolizados por oxidação (alprazolam, midazolam, triazolam, diazepam): aumento das concentrações plasmáticas; o alprazolam deve ser iniciado com metade da dose habitual; a coadministração com diazepam é geralmente desaconselhada (clearance reduzida em 65%, com acúmulo substancial)
    • Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, clomipramina, imipramina): aumento dos níveis plasmáticos; monitorar e reduzir a dose do tricíclico se necessário
    • Antipsicóticos (clozapina, olanzapina, quetiapina): aumento dos níveis; a clozapina deve ser monitorada com atenção pelo risco de convulsões e hipotensão ortostática dose-dependentes
    • Teofilina: clearance reduzida ~3x; reduzir a dose da teofilina para 1/3 do habitual e monitorar os níveis séricos
    • Varfarina: concentrações aumentadas em ~98% e prolongamento do tempo de protrombina (TP); monitorar TP e ajustar a dose do anticoagulante
    • AINEs, ácido acetilsalicílico e outros anticoagulantes/antiagregantes: risco aumentado de sangramento (especialmente gastrointestinal e pós-parto), pela somação dos efeitos sobre a hemostasia plaquetária
    • Outros agentes serotoninérgicos (triptanos, tramadol, fentanila, meperidina, metadona, outros ISRSs, SNRIs, lítio, triptofano, buprenorfina, buprenorfina/naloxona, Hypericum perforatum/erva-de-são-joão): risco de síndrome serotoninérgica; usar com cautela e monitorar
    • Carbamazepina: aumento dos níveis plasmáticos e risco de toxicidade
    • Propranolol e metoprolol: aumento significativo das concentrações; reduzir a dose inicial do beta-bloqueador e titular com maior cautela (o atenolol, excretado principalmente por via renal, não é afetado)
    • Metadona: aumento das concentrações com risco de intoxicação opioide; após descontinuação da fluvoxamina, risco de síndrome de abstinência aos opioides
    • Mexiletina: clearance reduzida em 38%; monitorar níveis séricos
    • Tacrina: Cmax aumentada ~5x e AUC ~8x
    • Diltiazem: risco de bradicardia
    • Ropinirol: aumento das concentrações; monitorar e reduzir a dose se necessário [1][2]
    • Lítio: potencialização dos efeitos serotoninérgicos; relatos de convulsões na coadministração (associação causal não definitivamente estabelecida); usar com cautela [1][2][3]
    • Cafeína (em grandes quantidades): aumento das concentrações de cafeína, com possíveis efeitos adversos (tremor, palpitações, náusea, agitação, insônia) [1][2]
    • Suco de toranja: aumento da exposição sistêmica à fluvoxamina por inibição da CYP3A4 e da glicoproteína P [1][2]
    • Álcool: evitar o consumo durante o tratamento [1][2][3]

Gestação:

  • Anvisa: [1][2]

    • Categoria de risco C
    • Dados epidemiológicos sugerem risco aumentado de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (HPP): ~5 casos em 1.000 gestações com uso de ISRSs no final da gravidez (vs. 1-2 casos por 1.000 na população geral)
    • Exposição a ISRSs no 3º trimestre: risco de síndrome de descontinuação neonatal, com dificuldades respiratórias e/ou alimentares, convulsões, instabilidade térmica, hipoglicemia, tremores, alterações do tônus muscular, agitação, cianose, irritabilidade, letargia, sonolência e choro constante, podendo requerer hospitalização prolongada
    • Uso no mês anterior ao parto: risco aumentado (<2x) de hemorragia pós-parto
    • Não deve ser utilizada durante a gravidez a não ser que a condição clínica da paciente necessite do tratamento
  • FDA: [3]

    • Estudos observacionais publicados (décadas de experiência clínica) não identificaram risco claramente associado ao fármaco para malformações maiores ou abortamentos espontâneos
    • Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPN): dados humanos sugerem risco aumentado com exposição a ISRSs no final da gravidez; a HPPN ocorre em 1-2 por 1.000 nascidos vivos na população geral e está associada a morbidade e mortalidade neonatais substanciais
    • Síndrome de má adaptação neonatal: exposição no 3º trimestre associada a complicações neonatais (distress respiratório, cianose, apneia, convulsões, instabilidade térmica, dificuldade alimentar, vômitos, hipoglicemia, hipotonia, hipertonia, hiperreflexia, tremores, irritabilidade, choro constante), consistentes com efeito tóxico direto ou síndrome de abstinência; em alguns casos, o quadro é compatível com síndrome serotoninérgica
    • Hemorragia pós-parto: exposição no mês antes do parto associada a risco <2x aumentado
    • Dados animais: toxicidade embrionária e fetal com doses ≥3x a dose máxima recomendada em humanos (DMRH); aumento da mortalidade perinatal com doses ≥2x a DMRH
    • Mulheres que descontinuam antidepressivos durante a gestação apresentam maior risco de recidiva de depressão maior; os riscos da doença não tratada devem ser considerados na decisão terapêutica
    • Registro de exposição na gravidez disponível pelo telefone 1-844-405-6185 ou em https://womensmentalhealth.org/

Lactação:

  • Anvisa: [1][2]

    • A fluvoxamina é excretada no leite materno em pequenas quantidades
    • Não deve ser utilizada pela mulher que amamenta
    • O uso durante a lactação depende de avaliação e acompanhamento médico individualizado
  • FDA: [3]

    • A presença da fluvoxamina no leite humano é documentada: concentrações ≤425 ng/mL observadas com doses maternas de 25-300 mg/dia
    • Na maioria dos casos de uso materno relatados, não foram observados efeitos adversos no lactente
    • Relatos de diarreia, vômito, redução do sono e agitação em lactentes expostos; monitorar a ocorrência desses sintomas
    • Os benefícios do aleitamento materno devem ser sopesados com a necessidade clínica materna e os riscos potenciais para o lactente

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • As fontes consultadas (bulas brasileiras e FDA label) não dispõem de orientações específicas sobre a administração de fluvoxamina por sonda nasogástrica ou nasoenteral. As bulas informam que os comprimidos não devem ser mastigados[1][2], embora seja permitida a divisão em duas partes iguais [1][2]. Em razão da ausência de dados específicos nas fontes disponíveis, recomenda-se consultar a equipe de farmácia clínica para avaliação individualizada antes de qualquer adaptação da forma farmacêutica.

Fontes:

[1] Bula do Profissional de Saúde. Luvox® (maleato de fluvoxamina). Abbott Laboratórios do Brasil Ltda. Aprovada em 30/01/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[2] Bula do Profissional de Saúde. Revoc® (maleato de fluvoxamina). Abbott Laboratórios do Brasil Ltda. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada em 30/01/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[3] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Fluvoxamine Maleate Tablets. Revised: 8/2025. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search 

[4] Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html 

[5] Consulta Remédios. Maleato de Fluvoxamina — Informações comerciais e regulatórias. Disponível em: https://consultaremedios.com.br/maleato-de-fluvoxamina/pa