Paroxetina
Nomes Comerciais:
- Aropax®, Pondera®, Pondera XR®
Apresentações:
- Comprimidos de liberação imediata (LI):
- 10 mg: Pondera® — embalagens com 10, 20 ou 30 comprimidos
- 20 mg: Pondera®, Aropax®, genéricos (ex.: Teuto) — embalagens com 10 ou 30 comprimidos
- 30 mg: Pondera®, Aropax® — embalagens com 30 comprimidos
- Comprimidos de liberação modificada (XR): [2][5]
- 12,5 mg: Pondera XR® — embalagens com 10 ou 30 comprimidos
- 25 mg: Pondera XR® — embalagens com 10 ou 30 comprimidos
Posologia:
-
Adultos — Comprimidos de Liberação Imediata (LI): [3][4]
- Transtorno depressivo maior (TDM):
- Dose recomendada: 20 mg/dia. Pode ser aumentada gradativamente em incrementos de 10 mg, até o máximo de 50 mg/dia, conforme resposta clínica
- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC):
- Dose inicial: 20 mg/dia. Aumentar semanalmente em incrementos de 10 mg; dose usual de 40 mg/dia; máximo de 60 mg/dia
- Transtorno do pânico (com ou sem agorafobia):
- Dose inicial: 10 mg/dia (recomendada para minimizar a potencial piora inicial da sintomatologia do pânico). Aumentar semanalmente em incrementos de 10 mg; dose usual de 40 mg/dia; máximo de 50 mg/dia
- Fobia social / Transtorno de ansiedade social (TAS):
- Dose inicial: 20 mg/dia; pode ser aumentada até 50 mg/dia em incrementos de 10 mg, com intervalos de pelo menos 1 semana
- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG):
- Dose de 20 mg/dia; pode ser aumentada até 50 mg/dia em incrementos de 10 mg, conforme necessário
- Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT):
- Dose inicial de 20 mg/dia; pode ser aumentada até 50 mg/dia em incrementos de 10 mg, conforme necessário
- Idosos: [3][4]
- A maioria das bulas recomenda iniciar com 10 mg/dia, podendo aumentar gradualmente até o máximo de 40 mg/dia, conforme resposta e tolerabilidade
- Transtorno depressivo maior (TDM):
-
Adultos — Comprimidos de Liberação Modificada (XR): [2]
- TDM:
- Dose inicial: 25 mg/dia; pode ser aumentada em incrementos de 12,5 mg/semana; máximo de 62,5 mg/dia
- Transtorno do pânico:
- Dose inicial: 12,5 mg/dia (baixa para minimizar piora inicial dos sintomas); aumentar semanalmente em 12,5 mg; máximo de 75 mg/dia
- Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM):
- Dose inicial: 12,5 mg/dia; máximo de 25 mg/dia. Pode ser administrada de forma contínua ou intermitente (somente na fase lútea do ciclo menstrual)
- Fobia social / TAS:
- Dose inicial: 12,5 mg/dia; pode ser aumentada até 37,5 mg/dia em incrementos de 12,5 mg, com intervalos de pelo menos 1 semana
- Idosos (XR):
- Dose inicial de 12,5 mg/dia; pode ser aumentada até 50 mg/dia
- TDM:
-
Pediátrico (menores de 18 anos): [2][3][4]
- Uso contraindicado em crianças e adolescentes menores de 18 anos. Estudos clínicos controlados não demonstraram eficácia, e foram observados eventos adversos relacionados a pensamento e comportamento suicidas com maior frequência do que com placebo
-
Administração:
- LI: administrar em dose única diária, pela manhã, com ou sem alimento; deglutir os comprimidos inteiros com água. Não partir ou mastigar [3][4]
- XR: administrar em dose única diária, pela manhã, com ou sem alimento. Não mastigar, triturar ou partir; deglutir inteiro [2]
- A posologia deve ser reavaliada e ajustada dentro de 2-3 semanas após o início do tratamento e, a seguir, conforme clinicamente adequado [3]
- Descontinuação: a interrupção abrupta deve ser evitada. Recomenda-se redução gradual da dose em decrementos de 10 mg/semana (LI). Ao atingir 20 mg/dia, esta deve ser mantida por mais 1 semana antes da suspensão. Em caso de sintomas intoleráveis durante a redução, retornar à dose anterior e reduzi-la de forma mais gradativa [2][3]
- Dose esquecida: as fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre conduta em caso de dose esquecida. Ressalta-se que há relatos raros de sintomas de descontinuação mesmo após omissão de uma única dose [2][3]
Ajuste para Insuficiência Renal:
- Adulto:
- LI: em insuficiência renal (IR) grave (clearance de creatinina < 30 mL/min), as concentrações plasmáticas de paroxetina estão aumentadas em aproximadamente 4x em relação a indivíduos com função renal normal. A dose recomendada é de 20 mg/dia, com aumentos de posologia restritos à menor dose eficaz (máximo de 40 mg/dia) [3][4]
- XR: em IR grave (ClCr < 30 mL/min), restringir ao valor mais baixo da faixa de doses (12,5 mg/dia) [2]
- Em IR moderada (ClCr 30-60 mL/min): concentrações plasmáticas aumentadas em aproximadamente 2x; cautela e monitoramento são recomendados [1]
- Para a formulação de 7,5 mg aprovada nos EUA (indicação exclusiva para VMS), o FDA não recomenda ajuste de dose mesmo em pacientes com IR, embora reconheça o aumento das concentrações plasmáticas nesse cenário [1]
- Pediátrico:
- Uso não indicado em menores de 18 anos
Ajuste para Insuficiência Hepática:
- Adulto:
- LI: em insuficiência hepática (IH), as concentrações plasmáticas de paroxetina estão aumentadas em aproximadamente 2x. A dose recomendada é de 20 mg/dia, com aumentos restritos à menor dose eficaz (máximo de 40 mg/dia) [3][4]
- XR: em IH grave, restringir ao valor mais baixo da faixa de doses (12,5 mg/dia) [2]
- Para a formulação de 7,5 mg aprovada nos EUA (VMS), o FDA não recomenda ajuste de dose em pacientes com IH, reconhecendo o aumento de aproximadamente 2x nas concentrações plasmáticas [1]
- Pediátrico:
- Uso não indicado em menores de 18 anos
Classe:
- Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS) [2][3]
Farmacologia:
-
Mecanismo de ação: [2][3]
- A paroxetina é um potente e seletivo inibidor da recaptação de serotonina (5-hidroxitriptamina ou 5-HT) nos neurônios cerebrais. Seus efeitos terapêuticos nas condições psiquiátricas são atribuídos a esse mecanismo
- Possui baixa afinidade pelos receptores muscarínicos, adrenérgicos (α1, α2, β), dopaminérgicos D2, serotonínicos 5-HT1 e 5-HT2 e histamínicos H1, o que confere um perfil de efeitos adversos distinto dos antidepressivos tricíclicos (ADTs)
- Não produz alterações clinicamente significativas na pressão arterial, frequência cardíaca ou ECG. Em doses de até 60 mg/dia, não prolongou o intervalo QTc em indivíduos saudáveis
-
Farmacocinética: [2][3][1]
- Absorção: bem absorvida por via oral, com metabolismo de primeira passagem expressivo. O estado de equilíbrio (steady-state) é atingido em 7-14 dias após o início do tratamento. A formulação XR controla a dissolução por 4-5 horas e possui revestimento entérico que retarda o início da liberação até o esvaziamento gástrico, resultando em taxa de absorção mais lenta em comparação à formulação de liberação imediata. Nas cápsulas de 7,5 mg (aprovadas nos EUA para VMS), o pico de concentração plasmática ocorre com uma mediana de 6 horas (variação: 3-8 horas) [1]
- Distribuição: extensamente distribuída nos tecidos; apenas ~1% permanece no plasma. Ligação proteica: ~95%
- Metabolismo: extenso metabolismo hepático de primeira passagem via CYP2D6 (citocromo P450 2D6), com formação de metabólitos polares sem atividade farmacológica relevante. A paroxetina é um forte inibidor irreversível da CYP2D6, saturando essa via rapidamente durante o tratamento
- Farmacocinética não linear: como a CYP2D6 é saturada precocemente, a depuração passa a depender de outras isoenzimas do P450, resultando em acúmulo desproporcional com doses repetidas. A AUC em steady-state é aproximadamente 3x maior do que após dose única, e o Cmax em equilíbrio é cerca de 5x maior [1]
- Excreção: ~64% pela urina (principalmente como metabólitos; <2% como fármaco inalterado) e ~36% pelas fezes (via bile; <1% como fármaco inalterado)
- Meia-vida (T½): variável; geralmente de aproximadamente um dia
- Em idosos, IR grave e IH: concentrações plasmáticas aumentadas (ver seções de ajuste de dose)
Tipo de Receita:
- Receituário de Controle Especial em duas vias (receita branca em 2 vias, com retenção de uma via na farmácia), conforme todas as bulas consultadas e a Portaria SVS/MS nº 344/1998 (Lista C1 — outras substâncias sujeitas a controle especial) [2][3][4][5]. Este requisito aplica-se a todas as apresentações disponíveis no Brasil
Indicações:
-
Comprimidos de Liberação Imediata (LI): [3][4]
- Transtorno depressivo maior (TDM) — incluindo prevenção de recaídas e recorrências
- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) — incluindo prevenção de recidivas
- Transtorno do pânico (com ou sem agorafobia) — incluindo prevenção de recidivas
- Fobia social / Transtorno de ansiedade social (TAS)
- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) — incluindo prevenção de recidivas
- Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)
-
Comprimidos de Liberação Modificada (XR): [2]
- TDM
- Transtorno do pânico (com ou sem agorafobia)
- Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)
- Fobia social / Transtorno de ansiedade social (TAS)
Contraindicações:
- Hipersensibilidade à paroxetina ou a qualquer componente da formulação [2][3][4]
- Uso concomitante com inibidores da monoaminoxidase (IMAOs), incluindo linezolida e azul de metileno intravenoso, ou em período inferior a 2 semanas após a interrupção de tais inibidores. Da mesma forma, não se deve iniciar IMAO em período inferior a 2 semanas após a suspensão da paroxetina [2][3][4]
- Uso concomitante com tioridazina (inibição da CYP2D6 com risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares graves, incluindo torsades de pointes) [2][3][4]
- Uso concomitante com pimozida (mesmo mecanismo) [2][3][4]
- Pacientes menores de 18 anos [2][3][4]
- Gestação: para a formulação de 7,5 mg aprovada nos EUA (indicação exclusiva para VMS), a gestação é contraindicação absoluta, pois os sintomas vasomotores da menopausa são incompatíveis com a gestação em si [1]. Para as formulações LI e XR destinadas a indicações psiquiátricas, a gestação não constitui contraindicação absoluta — o medicamento é classificado como Categoria D (ANVISA), o que pressupõe análise individualizada de risco-benefício. A descontinuação abrupta em pacientes com TDM grave, transtorno do pânico ou outras condições psiquiátricas severas pode representar risco superior ao de manter o tratamento com monitoramento. O prescritor deve avaliar alternativas terapêuticas e, quando optar pela manutenção, monitorar ativamente a gestante e o neonato (ver seção Gestação) [2][3]
Efeitos Adversos:
â ï¸ Alerta de suicidabilidade em adultos jovens: análises de estudos clínicos controlados por placebo em adultos com transtornos psiquiátricos demonstraram maior frequência de pensamento e comportamento suicidas em adultos de 18 a 24 anos tratados com paroxetina em comparação com placebo, especialmente nas primeiras semanas de tratamento e em momentos de ajuste de dose. Em adultos acima de 25 anos, tal aumento não foi observado. Todos os pacientes dessa faixa etária devem ser monitorados de perto quanto ao surgimento ou piora de ideação suicida, agitação e alterações de comportamento no início do tratamento e após qualquer modificação de dose. [2][3]
-
Comuns:
- Muito comuns (>1/10): [2][3]
- Náusea
- Disfunção sexual (incluindo diminuição da libido e retardo/ausência de orgasmo; pode persistir mesmo após a descontinuação do ISRS)
- Comuns (>1/100 e <1/10): [2][3]
- Astenia, ganho de peso corporal
- Sudorese
- Constipação, diarreia, vômitos, boca seca
- Bocejos
- Visão turva
- Vertigem, tremor, cefaleia
- Sonolência, insônia, agitação, sonhos anormais (inclusive pesadelos)
- Aumento dos níveis de colesterol, diminuição do apetite
- Incomuns (>1/1.000 e <1/100): [2][3]
- Retenção urinária, incontinência urinária
- Rash cutâneo (exantema)
- Midríase
- Hipotensão postural
- Taquicardia sinusal
- Distúrbios extrapiramidais (inclusive distonia orofacial em pacientes com transtornos de movimento subjacentes ou em uso de neurolépticos)
- Confusão, alucinações
- Sangramento anormal (predominantemente de pele e mucosas)
- Leucopenia
- Muito comuns (>1/10): [2][3]
-
Raros:
- Raros (>1/10.000 e <1/1.000): [2][3]
- Hiponatremia e SIADH (síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético) — a hiponatremia é relatada predominantemente em idosos e pode ocorrer como manifestação da SIADH. Ambas as entidades compartilham a mesma faixa de frequência nas bulas consultadas e são listadas de forma unificada
- Reações maníacas
- Convulsões, acatisia, síndrome das pernas inquietas (SPI)
- Elevação das enzimas hepáticas
- Hiperprolactinemia/galactorreia, distúrbios menstruais (menorragia, metrorragia, amenorreia)
- Muito raros (<1/10.000): [2][3]
- Trombocitopenia
- Reações alérgicas graves (anafilaxia, angioedema)
- Síndrome serotoninérgica (agitação, confusão, diaforese, alucinações, hiperreflexia, mioclonia, taquicardia, tremores)
- Glaucoma agudo
- Sangramento gastrointestinal
- Eventos hepáticos graves (hepatite, icterícia, insuficiência hepática)
- Edema periférico
- Reações cutâneas graves: eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica (NET), urticária, reações de fotossensibilidade
- Pós-comercialização: [1]
- Fibrilação atrial, fibrilação ventricular, taquicardia ventricular (inclusive torsades de pointes)
- Pancreatite hemorrágica
- Lesão hepática induzida por fármaco e falência hepática
- Síndrome neuroléptica maligna
- Hipertensão pulmonar
- Anosmia, hiposmia
- Sintomas de descontinuação — comuns: vertigem, distúrbios sensoriais (parestesia, sensação de choque elétrico, zumbido), distúrbios do sono, ansiedade, cefaleia; incomuns: agitação, náusea, tremor, confusão, sudorese, diarreia. Geralmente autolimitados e desaparecem em 2 semanas, mas podem persistir por 2-3 meses ou mais em alguns pacientes [2][3]
- Raros (>1/10.000 e <1/1.000): [2][3]
Interações Medicamentosas:
- IMAOs (incluindo linezolida e azul de metileno IV): contraindicado. Risco elevado de síndrome serotoninérgica potencialmente fatal. Intervalo mínimo de 2 semanas entre paroxetina e qualquer IMAO (em ambas as direções) [2][3][4]
- Outros serotoninérgicos (triptanos, tramadol, fentanila, meperidina, metadona, outros ISRSs/IRSNs, ADTs, lítio, L-triptofano, Erva-de-São-João, buspirona, anfetaminas): risco aumentado de síndrome serotoninérgica. Associar apenas quando clinicamente necessário e com monitoramento rigoroso [2][3][1]
- Tamoxifeno: a paroxetina inibe irreversivelmente a CYP2D6, reduzindo a conversão do tamoxifeno ao seu metabólito ativo endoxifeno, o que pode comprometer a eficácia antiestrogênica e aumentar o risco de recidiva de câncer de mama. Evitar a combinação; considerar antidepressivo alternativo com menor potencial inibitório da CYP2D6 [2][3][1]
- ADTs (amitriptilina, nortriptilina, imipramina, desipramina): aumento das concentrações plasmáticas e da meia-vida dos ADTs via inibição da CYP2D6. Pode ser necessário reduzir a dose do ADT; monitorar tolerabilidade [2][3][1]
- Risperidona: aumento das concentrações plasmáticas de risperidona (~4x). Pode ser necessário reduzir a dose da risperidona; monitorar [1][3]
- Atomoxetina: aumento expressivo da exposição à atomoxetina (AUC 6-8x maior; Cmax 3-4x maior). Necessária redução de dose da atomoxetina; monitorar [1][3]
- Warfarina e outros anticoagulantes/antiagregantes (AINEs, aspirina): risco aumentado de sangramento, inclusive gastrointestinal. Monitorar o INR e sinais de sangramento em pacientes anticoagulados [2][3][1]
- Digoxina: paroxetina reduz concentrações plasmáticas de digoxina (~15%); monitorar níveis e efeito clínico, e considerar aumento de dose da digoxina se necessário [1]
- Teofilina: paroxetina aumenta as concentrações plasmáticas de teofilina; monitorar e ajustar dose [1]
- Prociclidina: paroxetina aumenta significativamente os níveis plasmáticos da prociclidina; reduzir a dose se surgirem efeitos anticolinérgicos [2][3]
- Indutores enzimáticos (fenitoína, fenobarbital, carbamazepina, rifampicina): reduzem as concentrações plasmáticas de paroxetina. Não é necessário ajuste de dose inicial, mas ajustes subsequentes devem ser guiados pelo efeito clínico [2][3]
- Fosamprenavir/ritonavir: reduz significativamente as concentrações plasmáticas de paroxetina; monitorar eficácia e ajustar dose conforme efeito clínico [2][3][1]
- Cimetidina: inibe enzimas metabolizadoras e aumenta as concentrações de paroxetina (~50%); quando a associação for necessária, considerar as doses mais baixas da faixa terapêutica [1]
- Bloqueadores neuromusculares (mivacúrio, suxametônio): ISRSs reduzem a atividade da colinesterase plasmática, prolongando o bloqueio neuromuscular. Atenção em situações perioperatórias [2][3]
- Antiarrítmicos tipo 1C (propafenona, flecainida, encainida) e metoprolol: paroxetina pode aumentar as concentrações desses fármacos via inibição da CYP2D6; monitorar tolerabilidade [2][3][1]
- Álcool: paroxetina não potencializa o efeito depressor do álcool sobre a capacidade motora e cognitiva, mas o uso concomitante não é recomendado [2][3]
Gestação:
-
ANVISA: [2][3][4]
- Categoria D de risco na gravidez. Deve ser prescrita somente quando os benefícios potenciais superarem os riscos para o feto. Não deve ser utilizada por mulheres grávidas sem orientação médica
- Estudos epidemiológicos demonstraram aumento do risco de malformações congênitas, particularmente cardiovasculares (defeitos do septo atrial e ventricular), associadas ao uso de paroxetina no 1º trimestre. O risco estimado de malformação cardiovascular fetal após exposição materna à paroxetina é de aproximadamente 1/50, em comparação com ~1/100 na população geral
- O uso de ISRSs na gravidez avançada (3º trimestre) está associado a risco aumentado de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (PPHN) — estimado em 4-5x maior do que o observado na população geral (taxa de 1-2/1.000 nascidos vivos)
- Complicações neonatais após exposição no 3º trimestre (síndrome de adaptação ou abstinência neonatal): desconforto respiratório, cianose, apneia, convulsões, instabilidade térmica, dificuldade de amamentar, vômito, hipoglicemia, hipertonia, hipotonia, hiperreflexia, tremor, nervosismo, irritabilidade, letargia, choro constante e sonolência. A maioria das complicações ocorre em menos de 24 horas após o nascimento
- Relatos de nascimento prematuro (relação causal não estabelecida)
- Risco aumentado de hemorragia pós-parto (menos de 2x) com exposição a ISRS no mês anterior ao parto
- Deve-se monitorar o recém-nascido caso a mãe tenha mantido o tratamento nas fases finais da gravidez
-
FDA: [1]
- Nas cápsulas de 7,5 mg (aprovadas nos EUA apenas para VMS), a gestação é contraindicada, pois os sintomas vasomotores da menopausa são incompatíveis com a gestação em si e o medicamento pode causar dano fetal
- Meta-análises de estudos populacionais indicam risco aumentado (menos de 2x) de malformações cardiovasculares no 1º trimestre — especialmente defeitos de via de saída do ventrículo direito, anomalias do septo atrial e anomalias do bulbus cordis
- Exposição mais tardia na gravidez associa-se a risco aumentado de PPHN; a taxa na população geral é de 1-2/1.000 nascidos vivos
- Dados observacionais: risco aumentado de hemorragia pós-parto (menos de 2x) com exposição a ISRSs no mês anterior ao parto
- Dados em animais: ausência de evidência de malformações em doses de até 64x a MRHD (dose máxima recomendada para humanos) de 7,5 mg em ratos durante a organogênese; aumento de mortalidade de filhotes com dose equivalente a 1,3x a MRHD durante a gestação tardia e lactação
Lactação:
-
ANVISA: [2][3][4]
- Pequena quantidade de paroxetina é excretada no leite materno. Em estudos publicados, as concentrações séricas nos lactentes amamentados foram indetectáveis (<2 ng/mL) ou muito baixas (<4 ng/mL), sem sinais de efeito farmacológico observados nesses lactentes
- O uso de paroxetina durante a amamentação não é recomendado, a menos que os benefícios esperados para a mãe justifiquem os potenciais riscos para a criança. O uso é condicionado à avaliação e acompanhamento médico
-
FDA: [1]
- A formulação de paroxetina 7,5 mg em cápsulas (aprovada nos EUA para VMS) é indicada exclusivamente para mulheres pós-menopáusicas. As fontes consultadas não dispõem de dados específicos de lactação para essa formulação
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
- Comprimidos de Liberação Modificada (XR — 12,5 mg e 25 mg): as bulas orientam que esses comprimidos não devem ser mastigados, triturados ou partidos, uma vez que a integridade do sistema de liberação controlada seria comprometida, alterando a farmacocinética do fármaco e aumentando potencialmente o risco de toxicidade [2]. O uso por sonda é contraindicado para essa apresentação. Caso a administração por sonda seja necessária, recomenda-se substituir pela formulação de liberação imediata, com ajuste de dose adequado
- Comprimidos de Liberação Imediata (LI — 10, 20 e 30 mg): as bulas brasileiras consultadas não dispõem de orientações específicas sobre administração por sonda nasogástrica/nasoenteral [3][4]. De acordo com o Handbook of Drug Administration via Enteral Feeding Tubes (White & Bradnam, 3ª ed.), os comprimidos de paroxetina de liberação imediata podem ser triturados e dispersos em água para administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral, com lavagem adequada da sonda (10-20 mL de água) antes e após a administração [6]. Recomenda-se monitorar o paciente quanto à eficácia clínica, pois a absorção pode ser influenciada pela via e pela dieta enteral
Fontes:
[1] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Paroxetine Capsules 7.5 mg (Solco Healthcare LLC). Revised: 12/2025. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search
[2] Bula do Profissional de Saúde. Pondera XR® (cloridrato de paroxetina). Eurofarma Laboratórios S.A. Aprovada em 24/09/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[3] Bula do Profissional de Saúde. Pondera® (cloridrato de paroxetina). Eurofarma Laboratórios S.A. Aprovada em 10/12/2024 (comprimidos 10 mg e 30 mg) e em 24/09/2025 (comprimido 20 mg). Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[4] Bula do Profissional de Saúde. Cloridrato de Paroxetina (genérico). Laboratório Teuto Brasileiro S/A. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[5] Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Bulário Eletrônico. Consulta de medicamentos registrados (paroxetina). Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[6] White R, Bradnam V. Handbook of Drug Administration via Enteral Feeding Tubes. 3ª ed. Londres: Pharmaceutical Press; 2015.


