Hytós® Plus

 


â ï¸ ALERTA DE SEGURANÇA SANITÁRIA — SUSPENSÃO REGULATÓRIA Em 27 de abril de 2026, a Anvisa determinou a suspensão imediata da comercialização, distribuição, fabricação, importação, manipulação, propaganda e uso de todos os medicamentos contendo clobutinol, incluindo o Hytós® Plus (RE n° 1.684/2026). A medida foi motivada por relação risco-benefício desfavorável, em razão da associação do clobutinol a arritmias cardíacas graves por prolongamento do intervalo QT. A suspensão é de natureza temporária, permanecendo vigente enquanto são conduzidos os encaminhamentos administrativos relativos aos registros. Não existem registros vigentes do princípio ativo clobutinol em agências reguladoras estrangeiras consideradas equivalentes pela Anvisa. Este medicamento não deve ser prescrito ou utilizado até que a situação regulatória seja regularizada. [3]


Nomes Comerciais:

  • Hytós® Plus

Apresentações:

  • Princípio ativo: Cloridrato de Clobutinol + Succinato de Doxilamina
  • Solução gotas 48 mg/mL (cloridrato de clobutinol) + 9 mg/mL (succinato de doxilamina): frasco de 15 mL [1]
    • Correspondência: 1 mL ≈ 20 gotas; 1 gota = 2,4 mg de clobutinol + 0,45 mg de doxilamina [1]
    • Disponível como Hytós® Plus (marca) e como genérico (denominação comum)
  • Xarope 4 mg/mL (cloridrato de clobutinol) + 0,75 mg/mL (succinato de doxilamina): frasco de 100 mL acompanhado de copo dosador [2]
    • Disponível como Hytós® Plus (marca) e como genérico (denominação comum)

Posologia:

  • Adultos e adolescentes acima de 12 anos: [1,2]
    • Solução gotas: 20 gotas (1 mL), 3 vezes ao dia
    • Xarope: 1 copo-dosador (10 mL), 3 vezes ao dia
    • Em casos especiais, as doses poderão ser aumentadas a critério médico
  • Pediátrico (acima de 2 anos): [1,2]
    • Crianças de 3 a 12 anos:
      • Solução gotas: 10 a 20 gotas, 3 vezes ao dia
      • Xarope: ½ a 1 copo-dosador (5–10 mL), 3 vezes ao dia
    • Crianças de 2 a 3 anos:
      • Solução gotas: 5 a 10 gotas, 3 vezes ao dia
      • Xarope: ¼ a ½ copo-dosador (2,5–5 mL), 3 vezes ao dia
    • Em casos especiais, as doses poderão ser aumentadas a critério médico
    • Contraindicado em crianças menores de 2 anos
  • Administração: [1,2]
    • Via oral
    • A presença de alimentos no estômago no momento da administração pode interferir na absorção da doxilamina, resultando em atraso no início de ação. Recomenda-se administrar com estômago vazio, quando possível
    • Para a solução gotas: colocar o frasco na posição vertical; para iniciar o gotejamento, bater levemente com o dedo no fundo do frasco
    • O efeito tem início entre 15 e 30 minutos após a administração, com duração média de 4 a 6 horas
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre conduta em caso de dose esquecida

Ajuste para Insuficiência Renal:

  • Adulto: [1,2]
    • Pacientes com insuficiência renal devem ter precaução no uso deste medicamento, pois a eliminação ocorre primariamente pelos rins. As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas quanto ao ajuste de dose por grau de disfunção renal
  • Pediátrico: [1,2]
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose em pacientes pediátricos com insuficiência renal

Ajuste para Insuficiência Hepática:

  • Adulto: [1,2]
    • O clobutinol e a doxilamina são extensamente metabolizados no fígado. As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas quanto ao ajuste de dose em pacientes com insuficiência hepática, nem estabelecem restrições formais para esse grupo
  • Pediátrico: [1,2]
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose em pacientes pediátricos com insuficiência hepática

Classe:

  • Associação de antitussígeno não opiáceo (cloridrato de clobutinol) + anti-histamínico H1 (succinato de doxilamina) [1,2]

Farmacologia:

  • Mecanismo de ação: [1,2]
    • Clobutinol: fenilaquilamina com semelhança estrutural à metadona (não é derivado da morfina). Age suprimindo o reflexo da tosse por ação seletiva no centro da tosse na medula oblongata, sem causar depressão respiratória, sedação central, alteração da motilidade intestinal ou de parâmetros cardiocirculatórios
    • Doxilamina: antagonista competitivo dos receptores H1 da histamina. Combate reações edematosas das paredes da árvore respiratória. O efeito depressor do SNC está relacionado a sua alta afinidade pelos receptores H1 cerebrais. Possui também ação anticolinérgica (inibição de respostas mediadas por receptores muscarínicos)
  • Início e duração de ação: efeito inicia-se entre 15 e 30 minutos após a administração, com duração média de 4 a 6 horas [1,2]
  • Absorção: [1,2]
    • Clobutinol: rápida e quase completa, porém com extensa metabolização de primeira passagem, resultando em biodisponibilidade oral de aproximadamente 25%
    • Doxilamina: boa absorção pelo trato gastrintestinal (bloqueador H1)
  • Metabolismo: [1,2]
    • Ambos os fármacos são extensamente metabolizados no fígado, com destaque para o alto metabolismo de primeira passagem do clobutinol
  • Excreção: [1,2]
    • Clobutinol: excreção predominantemente renal; 1–2% da dose é eliminada nas primeiras horas; 80–90% nas primeiras 96 horas
    • Doxilamina: excreção urinária
  • Efeito sobre o intervalo QT: o clobutinol potencializa o prolongamento do intervalo QT, aumentando o risco de arritmias ventriculares graves do tipo torsades de pointes (potencialmente fatal). Esse risco foi determinante para a suspensão regulatória do produto pela Anvisa em 2026 [1,2,3]

Tipo de Receita:

  • Ambas as apresentações (solução gotas e xarope) eram classificadas como tarja vermelha — venda sob prescrição médica (receituário simples), sem necessidade de receituário de controle especial [3]
  • Atenção: em razão da suspensão determinada pela Anvisa em 27/04/2026 (RE n° 1.684/2026), nenhuma das apresentações pode ser prescrita, dispensada ou utilizada enquanto a suspensão estiver vigente [3]

Indicações:

  • Tosse de qualquer etiologia, principalmente quando envolve componente alérgico [1,2]
  • Tosse causada por gripes e resfriados comuns [1,2]
  • Tosse das traqueobronquites, laringites e rinofaringites alérgicas [1,2]
  • Tosse irritativa decorrente da poluição aérea do meio ambiente [1,2]
  • Tosse dos fumantes [1,2]
  • Tosse de pós-operatório em geral, particularmente após cirurgias abdominais, torácicas e oftalmo-otorrinolaringológicas [1,2]
  • Tosse irritativa e espástica causada por exames broncoscópicos [1,2]

Contraindicações:

  • Hipersensibilidade a qualquer componente da fórmula [1,2]
  • Glaucoma de ângulo fechado [1,2]
  • Síndrome congênita do QT longo [1,2]
  • Primeiro trimestre da gravidez [1,2]
  • Crianças menores de 2 anos [1,2]
  • Uso durante o aleitamento materno ou doação de leite humano [1,2]

Efeitos Adversos:

  • Comuns: [1,2]
    • Agitação
    • Tremores
    • Exantema pruriginoso
    • Náuseas e vômitos
    • Tonturas
    • Fadiga
    • Sonolência
    • Queixas gastrintestinais
  • Raros: [1,2]
    • Dispneia
    • Hipertonia muscular
    • Convulsões
    • Reações alérgicas: angioedema, urticária e casos isolados de anafilaxia
    • Prolongamento do intervalo QT com risco de arritmias ventriculares graves (torsades de pointes) — evento potencialmente fatal, identificado em estudos pós-comercialização e determinante para a suspensão regulatória [1,2,3]

Interações Medicamentosas:

  • Álcool e depressores do SNC (sistema nervoso central) (tranquilizantes, antidepressivos): potencializam o efeito sedativo da doxilamina; uso concomitante contraindicado [1,2]
  • Atropina e outras substâncias atropínicas: intensificam os efeitos adversos anticolinérgicos (boca seca, retenção urinária, constipação) [1,2]
  • Inibidores da MAO (monoaminoxidase): prolongam e intensificam os efeitos anticolinérgicos [1,2]
  • Testes cutâneos de alergia: o tratamento com anti-histamínicos deve ser suspenso cerca de 4 dias antes de qualquer prova cutânea, pois podem suprimir reações que seriam indicadores de reatividade celular [1,2]
  • Alimentos: a ingestão concomitante pode retardar a absorção da doxilamina, atrasando o início do efeito [1,2]

Gestação:

  • Anvisa: [1,2]
    • Contraindicado no primeiro trimestre de gravidez
    • Nos demais períodos gestacionais, as bulas não estabelecem contraindicação absoluta, porém determinam que o uso não seja realizado sem orientação médica ou do cirurgião-dentista. As fontes consultadas não informam a categoria de risco na gestação conforme a classificação da Anvisa

Lactação:

  • Anvisa: [1,2]
    • Contraindicado durante o aleitamento materno e na doação de leite humano, pois pequenas quantidades de doxilamina são excretadas no leite materno e podem causar reações indesejáveis no lactente. Alternativas terapêuticas devem ser consideradas pelo prescritor

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • As bulas consultadas não dispõem de orientações específicas sobre a administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral. Não foram localizadas informações sobre este tópico em fontes técnicas de referência reconhecidas para esta associação medicamentosa específica (clobutinol + doxilamina). Ressalva-se que, em razão da suspensão regulatória vigente desde 27/04/2026, esta via de administração não é aplicável na prática clínica atual [3]

Fontes:

[1] Bula do Profissional de Saúde. Hytós® Plus (cloridrato de clobutinol + succinato de doxilamina). Solução Gotas 48 mg/mL + 9 mg/mL. União Química Farmacêutica Nacional S/A. Aprovada em 04/12/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/

[2] Bula do Profissional de Saúde. Hytós® Plus (cloridrato de clobutinol + succinato de doxilamina). Xarope 4 mg/mL + 0,75 mg/mL. União Química Farmacêutica Nacional S/A. Aprovada em 04/12/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/

[3] Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Anvisa determina suspensão de medicamentos com clobutinol por motivo de segurança sanitária. Publicado em: 28/04/2026. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-suspensao-de-medicamentos-com-clobutinol-por-motivo-de-seguranca-sanitaria