Trazodona
Nomes comerciais:
- Donaren®, Donaren Retard®, Loredon®, Andhora®, Azod®, Inseris XR®, Motraz®, Ornare®, Sonic®, Tradep®, Trazostab®
Apresentações:
- Comprimido revestido de 50 mg (Donaren®)
- Comprimido revestido de 100 mg (Donaren®)
- Comprimido de liberação prolongada de 150 mg (Donaren® Retard®)
Posologia:
-
Comprimido de liberação imediata (Donaren® 50 mg e 100 mg): [1]
- Adultos:
- Dose inicial: 50 a 150 mg/dia, dividida em 2 tomadas ao dia ou em dose única à noite
- Aumento: 50 mg/dia a cada 3-4 dias, conforme necessidade e tolerabilidade
- Dose máxima ambulatorial: 400 mg/dia em doses divididas
- Pacientes hospitalizados (gravemente deprimidos): até 600 mg/dia em doses divididas
- Casos muito graves: a bula brasileira (Donaren®) menciona a possibilidade de utilização de doses superiores a 800 mg/dia em situações excepcionais [1].
- â ï¸ Nota: esta dose não consta no FDA label, que estabelece como dose máxima absoluta 600 mg/dia para pacientes hospitalizados [3]; recomenda-se extrema cautela com doses acima desse limiar
- Idosos (acima de 65 anos):
- Dose inicial: 75 mg/dia, por via oral
- Aumentar gradativamente em intervalos de 3-4 dias, conforme resposta clínica
- Pediátrico:
- Segurança e eficácia em menores de 18 anos não foram estabelecidas. Não há posologia definida para uso pediátrico. [1][3]
- Manutenção:
- Após resposta adequada, reduzir a dose gradualmente; manter a menor dose efetiva
- Em geral, recomenda-se tratamento antidepressivo por vários meses
- Administração:
- Administrar logo após uma refeição ou um pequeno lanche para reduzir irritação gástrica e risco de tontura; a absorção total pode ser até 20% maior com alimentos [1]
- O comprimido de 50 mg pode ser partido; o de 100 mg não deve ser partido nem mastigado [1]
- Se a sonolência for pronunciada, pode-se concentrar a maior parte da dose no período noturno [1][3]
- Descontinuação: reduzir a dose gradualmente, evitando interrupção abrupta, para minimizar sintomas de retirada (náusea, cefaleia, mal-estar, distúrbios sensoriais) [1][3]
- Dose esquecida: as bulas consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico
- Adultos:
-
Comprimido de liberação prolongada (Donaren® Retard 150 mg): [2]
- Adultos:
- Dose inicial: 75 a 150 mg/dia, em dose única à noite, antes de dormir
- A dose pode ser aumentada para 300 mg/dia (1 comprimido de 12/12h)
- Pacientes hospitalizados: até 600 mg/dia em doses divididas
- Idosos (acima de 65 anos):
- Dose única de 100 mg ao dia (corresponde a 2/3 do comprimido de 150 mg)
- Aumentar conforme prescrição médica e resposta clínica
- Doses superiores a 300 mg/dia não são recomendadas
- Pediátrico:
- Segurança e eficácia em menores de 18 anos não foram estabelecidas. Não há posologia definida para uso pediátrico. [2]
- Administração:
- Pode ser tomado em jejum ou após as refeições [2]
- O comprimido pode ser dividido em 3 partes iguais para ajuste de dose; as partes não utilizadas devem ser guardadas na embalagem original e administradas em até 30 dias [2]
- Descontinuação: reduzir a dose gradualmente, evitando interrupção abrupta [2]
- Dose esquecida: as bulas consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico
- Adultos:
Ajuste para Insuficiência Renal:
- Adulto:
- Não é formalmente necessário ajuste de dose em pacientes com insuficiência renal; entretanto, a trazodona deve ser usada com cautela em pacientes com insuficiência renal grave, dado o predomínio de excreção renal (70-75%) [1][2]
- O fármaco não foi estudado formalmente nessa população [3][8]
- Pediátrico:
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico.
Ajuste para Insuficiência Hepática:
- Adulto:
- A trazodona sofre extensa metabolização hepática e pode associar-se à hepatotoxicidade; deve ser usada com cautela em pacientes com insuficiência hepática, especialmente nos casos graves [2]
- Monitorização periódica da função hepática deve ser considerada; recomenda-se avaliar a função hepática basal antes do início do tratamento [2][8]
- Em casos de aparecimento de icterícia durante o tratamento, a trazodona deve ser suspensa [2]
- O fármaco não foi estudado formalmente nessa população [3][8]
- Pediátrico:
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico.
Classe:
- Antidepressivo. Derivado de triazolopiridina. Antagonista Serotoninérgico e Inibidor da Recaptação (SARI – Serotonin Antagonist and Reuptake Inhibitor), juntamente com fenilpiperazina, etoperidona, lorpiprazol e mepiprazol. [8]
Farmacologia:
-
Mecanismo de ação: [1][2][3][8]
- Inibe seletivamente o transportador de serotonina (SERT), aumentando a disponibilidade serotoninérgica na fenda sináptica
- Antagonista potente de receptores 5-HT2A (Ki = 35,6 nM), 5-HT2B (Ki = 78,4 nM) e 5-HT2C (Ki = 224 nM); essa propriedade dual (inibição do SERT + bloqueio 5-HT2A/2C) é o que define a classe SARI e diferencia a trazodona dos ISRSs clássicos, evitando efeitos adversos como disfunção sexual, insônia e ansiedade comuns àquela classe
- Agonista parcial de receptores 5-HT1A (Ki = 118 nM)
- Antagonista de receptores alfa-1A (Ki = 153 nM) e alfa-2C (Ki = 155 nM) — propriedade associada à hipotensão ortostática
- Antagonista de receptores H1 de histamina — contribui para o efeito sedativo, especialmente em doses mais baixas
- Em baixas doses, o efeito sedativo é primariamente mediado pelo antagonismo de receptores 5-HT2A, H1 e alfa-1-adrenérgicos, o que fundamenta seu uso off-label no tratamento da insônia
- Não é inibidor da MAO e não estimula o SNC
- Menor atividade anticolinérgica comparada aos antidepressivos tricíclicos; consequentemente, menor risco de retenção urinária e constipação
-
Farmacocinética: [1][2][3][8]
- Biodisponibilidade: bem absorvida por via oral; estimativas variam entre 65% e 73%, com algumas referências citando aproximadamente 100% por via oral [8]
- Absorção: bem absorvida por via oral. Para a formulação de liberação imediata, o Tmax (tempo para concentração plasmática máxima) é de ~1h em jejum e ~2h após refeição. Para a formulação de liberação prolongada (150 mg), o Tmax é de ~4 horas
- Efeito do alimento: a administração com alimentos aumenta a quantidade absorvida em até 20%, reduz a Cmax (concentração plasmática máxima) e prolonga o Tmax para a formulação de liberação imediata. Para a formulação retard, pode ser tomada independentemente do estado alimentar
- Ligação proteica: 89 a 95%
- Metabolismo: hepático extenso, predominantemente via CYP3A4 (citocromo P450 3A4). Produz metabólito ativo: mCPP (m-clorofenil-piperazina). O CYP2D6 também desempenha papel menor no metabolismo da trazodona [8]. A atividade da CYP3A4 pode variar até 20 vezes entre indivíduos, influenciando as concentrações plasmáticas
- Meia-vida de eliminação:
- Formulação de liberação imediata: meia-vida terminal de 5 a 9 horas [8]; eliminação bifásica com fase inicial de 3-6h e fase mais lenta de 5-9h [1]
- Formulação de liberação prolongada: eliminação bifásica; fase inicial ~1h e fase mais lenta ~13h; meia-vida geral ~12h; em voluntários sadios, a meia-vida terminal variou de 9,1 a 10,79h [2]
- Excreção: predominantemente renal (70-75%), com excreção biliar (~20%). Menos de 1% da dose é excretada inalterada na urina [1][2]
- Populações especiais — idosos: apresentam meia-vida de eliminação significativamente prolongada (11,6h vs. 6,4h em jovens), maior ASC (área sob a curva concentração-tempo) plasmática e clearance oral reduzido, provavelmente pela redução do metabolismo hepático relacionada à idade. Maior risco de hiponatremia (SIADH) nessa população [2][8]
- Em alguns pacientes pode haver acúmulo plasmático da trazodona [1][3]
Tipo de Receita:
- Receita de Controle Especial (receituário branco carbonado) em 2 vias, conforme a Lista C1 da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998 [4][5]
- 1ª via: retida na farmácia ou drogaria
- 2ª via: orientação ao paciente
- Validade da receita: 30 dias a partir da data de emissão
- Prescrição máxima por receita: quantidade suficiente para até 60 dias de tratamento
Indicações:
-
Indicações aprovadas pelas bulas brasileiras (Donaren® e Donaren® Retard): [1][2]
- Depressão com ou sem episódios de ansiedade
- Dor associada à neuropatia diabética
- Dores crônicas associadas a outras condições clínicas
- Depressão maior
-
Indicação aprovada pelo FDA: [3]
- Transtorno Depressivo Maior (TDM) em adultos
-
Usos off-label (não aprovados em bula, baseados em evidências clínicas): [8]
- Insônia: uso mais frequente off-label; doses de 50-100 mg ao dia demonstraram eficácia no tratamento da insônia associada à depressão, com 100 mg sendo a dose mais efetiva para melhora do sono
- Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): doses de 50-200 mg demonstraram redução de pesadelos e melhora do padrão de sono; sugerida pela Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) para pesadelos associados ao TEPT, embora os ISRSs sejam preferenciais como primeira linha
- Ansiedade, Doença de Alzheimer, abuso de substâncias, bulimia e fibromialgia: baseados no antagonismo serotoninérgico e nos efeitos inibitórios da recaptação de serotonina
- Apneia Obstrutiva do Sono (AOS): estudos demonstraram melhora dos episódios de apneia e hipopneia; a trazodona eleva o limiar respiratório, diminuindo o risco de instabilidade respiratória, sem piora dos episódios hipoxêmicos
Contraindicações:
- Hipersensibilidade à trazodona ou a qualquer componente da fórmula [1][2][3]
- Uso concomitante com IMAOs (inibidores da monoamino oxidase), incluindo linezolida e azul de metileno intravenoso, ou dentro de 14 dias da descontinuação desses agentes [1][2][3]
- Fase aguda de recuperação de infarto do miocárdio [1][2][3]
- Síndrome de má-absorção de glicose-galactose (Donaren® e Donaren® Retard) [1][2]
- Insuficiência de sacarose-isomaltase (exclusivo para Donaren® Retard, que contém sacarose) [2]
- Amamentação e doação de leite humano [1][2]
Efeitos Adversos:
-
Muito comuns (>10%): [1]
- Sedação/sonolência, cefaleia, tontura, fadiga, xerostomia (boca seca), náusea
-
Comuns (>1% e <10%): [1]
- Cardiovasculares: edema, hipotensão, hipertensão, síncope
- SNC: agitação, ataxia, confusão mental, desorientação, diminuição de memória, enxaqueca
- Dermatológicos: sudorese noturna
- Metabólicos/endócrinos: diminuição da libido
- Gastrointestinais: obstipação, dor abdominal, disgeusia (alteração do paladar), vômito
- Geniturinários: distúrbios ejaculatórios, urgência miccional
- Musculoesqueléticos: lombalgia, mialgia, tremores
- Oftalmológicos: embaçamento visual
- Respiratórios: dispneia
-
Incomuns/raros e pós-comercialização: [1][2][3][8]
- Cardiovasculares: arritmias graves (torsades de pointes — relacionadas à interação com canais de potássio hERG), fibrilação atrial, bradicardia, taquicardia ventricular, prolongamento do intervalo QT, infarto agudo do miocárdio, parada cardíaca, hipotensão ortostática (especialmente em idosos com cardiopatia preexistente, pelo bloqueio alfa-1)
- Psiquiátricos: paranoia, hipomania/mania (mania induzida por trazodona já foi descrita), alucinações visuais (geralmente se resolvem com a suspensão do medicamento), psicose, insônia
- Neurológicos: síndrome serotoninérgica, convulsões, acidente cerebrovascular (AVC), sintomas extrapiramidais, discinesia tardia
- Hepatobiliares: hepatite, icterícia, colestase, elevação de enzimas hepáticas; lesão hepática idiopática induzida pelo medicamento foi relatada, com casos graves exigindo transplante hepático
- Hematológicos: discrasias sanguíneas (agranulocitose, trombocitopenia, leucopenia, anemia), leucocitose
- Oftalmológicos: glaucoma de ângulo fechado, diplopia
- Geniturinários: priapismo (muito raro: <0,01% — emergência urológica; o paciente deve buscar atenção médica imediata diante de ereção prolongada ou inapropriada; atenção especial em pacientes com anemia falciforme, mieloma múltiplo, leucemia, disfunção autonômica, hipercoagulabilidade ou variação anatômica peniana)
- Metabólicos: hiponatremia, síndrome de secreção inapropriada de ADH (SIADH)
- Outros: reações alérgicas, alopecia, rash, urticária
- Risco de sangramento: menor do que o observado com outros antidepressivos, mas presente [8]
Interações Medicamentosas:
-
IMAOs (isocarboxazida, fenelzina, selegilina, tranilcipromina, moclobemida; incluindo linezolida e azul de metileno IV): CONTRAINDICADO. Risco elevado de síndrome serotoninérgica potencialmente fatal. Respeitar intervalo de ≥14 dias entre a descontinuação do IMAO e o início da trazodona, e vice-versa. [1][2][3]
-
Outros agentes serotoninérgicos (triptanos, antidepressivos tricíclicos, ISRSs, IRSNs, fentanil, lítio, tramadol, triptofano, buspirona, Erva de São João): risco de síndrome serotoninérgica. Monitorar cuidadosamente sinais e sintomas, especialmente no início do tratamento. [1][2][3][8]
-
Anticoagulantes e antiplaquetários (varfarina, rivaroxabana, dabigatrana, clopidogrel, AAS, AINEs): risco aumentado de sangramento. Para pacientes em uso de varfarina (antagonista da vitamina K), monitorar o INR ao iniciar, ajustar ou suspender a trazodona [3][8]. Para anticoagulantes orais diretos (rivaroxabana, dabigatrana), o INR não é parâmetro de monitoramento aplicável; atentar a sinais e sintomas clínicos de sangramento. [1][2][3]
-
Inibidores potentes do CYP3A4 (itraconazol, cetoconazol, claritromicina, voriconazol, indinavir, ritonavir, eritromicina, nefazodona): aumentam a exposição plasmática à trazodona, a meia-vida de eliminação e a Cmax, com risco aumentado de arritmias cardíacas. Considerar redução de dose da trazodona com base na tolerabilidade. [1][2][3][8]
-
Indutores do CYP3A4 (carbamazepina, rifampicina, fenitoína, Erva de São João): reduzem as concentrações plasmáticas de trazodona. Pode ser necessário aumentar a dose. [1][2][3][8]
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Digoxina e fenitoína (medicamentos de janela terapêutica estreita): a trazodona pode elevar as concentrações plasmáticas desses fármacos. Monitorar níveis séricos e sinais de toxicidade. [1][2][3][8]
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Fármacos que prolongam o intervalo QT (antiarrítmicos classe 1A: quinidina, procainamida; classe 3: amiodarona, sotalol; antipsicóticos: ziprasidona, clorpromazina, tioridazina; antibióticos: gatifloxacina): risco aditivo de arritmias ventriculares graves (torsades de pointes). Evitar a combinação. [1][2][3]
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Depressores do SNC (álcool, barbitúricos, antipsicóticos, hipnóticos, sedativos, relaxantes musculares, anestésicos, benzodiazepínicos): potencialização da depressão do SNC, com risco aumentado de quedas e lesões. Evitar ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento. [1][2][8]
-
Anti-hipertensivos: risco de hipotensão grave; pode ser necessário reduzir a dose do anti-hipertensivo. [1][2]
-
Buprenorfina/opioides: pode potencializar os efeitos colaterais da trazodona. [1][2]
-
Fluoxetina (inibidor de CYP2D6): raros relatos de aumento das concentrações plasmáticas de trazodona. [2][8]
-
Levodopa: antidepressivos podem acelerar o metabolismo da levodopa. [2]
Gestação:
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Anvisa: [1][2]
- Categoria C de risco na gravidez
- A trazodona não deve ser utilizada durante os três primeiros meses de gestação
- Nos meses restantes, o uso deve ser restrito aos casos em que o benefício esperado justifique o risco potencial para o feto
- Quando utilizada até o momento do parto, os recém-nascidos devem ser monitorados para sintomas de síndrome de retirada
- Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica
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FDA: [3][8]
- Dados disponíveis de estudos de coorte prospectivos, séries de casos e relatos publicados ao longo de várias décadas não identificaram associação entre o uso de trazodona durante a gravidez e malformações congênitas maiores, aborto espontâneo ou outros desfechos adversos maternos ou fetais. Entretanto, todas as evidências disponíveis apresentam limitações metodológicas (amostras pequenas, grupos comparadores inconsistentes), não sendo possível descartar definitivamente a existência de riscos
- Em estudos animais, doses de 7,3 a 22 vezes a dose máxima recomendada em humanos (MRHD de 400 mg/dia) causaram aumento de reabsorções fetais e anomalias congênitas; nas doses equivalentes à dose terapêutica humana, não foram observados efeitos teratogênicos
- O risco da depressão maior não tratada deve ser considerado ao se decidir pela descontinuação ou alteração do antidepressivo durante a gestação: estudo prospectivo longitudinal (n=201) demonstrou que mulheres que descontinuaram antidepressivos durante a gravidez apresentaram maior probabilidade de recaída depressiva do que aquelas que mantiveram o tratamento
- Recomenda-se registrar gestantes em uso de trazodona no Registro Nacional de Gravidez para Antidepressivos, que monitora os desfechos obstétricos [8]
Lactação:
-
Anvisa: [1][2]
- O uso de trazodona é contraindicado durante o aleitamento materno e na doação de leite humano
- A trazodona é excretada no leite humano, com concentrações máximas atingidas aproximadamente 2 horas após a administração
- A proporção leite/plasma baseada na ASC é baixa (0,142 ± 0,045); a dose estimada para o lactente (supondo ingestão de 500 mL/12h) seria de <0,005 mg/kg, em comparação a 0,77 mg/kg nas mães. Apesar da exposição estimada reduzida, a bula contraindica formalmente o uso durante a amamentação pelo risco de reações adversas no lactente
- O médico deve orientar alternativas terapêuticas ou para a alimentação do bebê
-
FDA: [3][8]
- Dados publicados confirmam a transferência da trazodona para o leite humano. Não há dados sobre efeitos do fármaco na produção de leite
- Relatos pós-comercialização limitados não identificaram associação com efeitos adversos na criança amamentada
- A decisão sobre manter ou suspender a amamentação deve considerar, de forma individualizada, os benefícios do aleitamento materno, a necessidade clínica materna e os potenciais efeitos adversos para o lactente (postura de avaliação risco-benefício individual, diferentemente da contraindicação formal adotada pela regulamentação brasileira)
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
As bulas brasileiras (Donaren® e Donaren® Retard) e o label da FDA não contemplam orientações sobre administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral, configurando uso off-label.
-
Comprimido de liberação imediata (Donaren® 50 mg e 100 mg): [6]
- A restrição à trituração/mastigação mencionada nas bulas parece ser motivada pelo gosto desagradável do comprimido triturado, e não por alteração de eficácia ou de segurança farmacocinética
- Publicação no Journal of Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN, 2023) indica que comprimidos de liberação imediata de trazodona dissolvem-se adequadamente em água e podem ser utilizados por sonda nasogástrica ou nasoenteral, se necessário, sem comprometimento documentado de eficácia ou segurança
- O comprimido de 50 mg pode ser partido (conforme bula); a trituração fina e diluição em água para administração por sonda constitui uso off-label [1]
-
Comprimido de liberação prolongada (Donaren® Retard 150 mg): [7]
- NÃO deve ser triturado para administração por sonda. A destruição da matriz de liberação modificada pode resultar em liberação súbita da dose total (fenômeno de dose dumping), com risco de toxicidade grave
- As Diretrizes NEWT (Wrexham Maelor Hospital Pharmacy Department) estabelecem que formulações de liberação modificada, prolongada ou retard não devem ser trituradas para administração enteral
Fontes:
[1] Bula do Profissional de Saúde. Donaren® (cloridrato de trazodona). Apsen Farmacêutica S.A. Aprovada em 08/12/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[2] Bula do Profissional de Saúde. Donaren® Retard (cloridrato de trazodona). Apsen Farmacêutica S.A. Aprovada em 19/11/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[3] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Trazodone Hydrochloride Tablets. Revised: 09/2025. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search
[4] InfoSUS – Sistema de Informação em Saúde de Santa Catarina. Trazodona. Atualizado em: fevereiro de 2025. Disponível em: http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php/Trazodona
[5] Brasil. Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998. Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Diário Oficial da União, Brasília, 1998. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/controlados/legislacao
[6] Klang M, McLymont V, Bhagat N, et al. Developing guidance for feeding tube administration of oral medications. Journal of Parenteral and Enteral Nutrition (JPEN/ASPEN). 2023. DOI: 10.1002/jpen.2490.
[7] NEWT Guidelines. Administration of medication to patients with enteral feeding tubes or swallowing difficulties. Wrexham Maelor Hospital, Pharmacy Department. Disponível em: https://www.newtguidelines.com/AdminEnteralFeedingTubes.html
[8] Shin JJ, Saadabadi A. Trazodone. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Última atualização: 29 de fevereiro de 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470560/


