Omeprazol
Nomes Comerciais:
- Formulações orais: Gastrium®, Elprazol®, Enopproz®, Eupept®, Gaspiren®, Lozeprel®, Neoprazol®, Neprazol®, Novoprazol®, Omenax®, Omepramed®, Omoprel®, Peptrat®, Pratiprazol®, Stomedini®, Teutozol®, Uniprazol®, Losec MUPS®.
- Formulação injetável: Gaspiren EV®.
Apresentações:
- Cápsulas duras de liberação retardada de 10 mg — embalagens com 14, 30, 60, 90 ou 350 unidades.
- Cápsulas duras de liberação retardada de 20 mg — embalagens com 07, 14, 28, 30, 60, 90 ou 350 unidades.
- Cápsulas duras de liberação retardada de 40 mg — embalagens com 07, 14, 28, 30, 60, 90 ou 350 unidades.
- Pó para solução injetável de 40 mg — caixas com 20 ou 25 frascos-ampola acompanhados de respectivo diluente (10 mL cada).
Posologia:
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Adultos (oral): [2]
- Úlcera duodenal ativa: 20 mg uma vez ao dia, por 4 semanas. A maioria dos pacientes se recupera nesse período; alguns podem necessitar de 4 semanas adicionais.
- Úlcera gástrica benigna ativa: 40 mg uma vez ao dia, por 4 a 8 semanas.
- Erradicação do Helicobacter pylori — terapia tripla: omeprazol 20 mg + amoxicilina 1.000 mg + claritromicina 500 mg, todos administrados duas vezes ao dia, por 10 dias. Em pacientes com úlcera presente no início da terapia, continuar com omeprazol 20 mg uma vez ao dia por mais 18 dias para cicatrização e alívio dos sintomas.
- Doença do Refluxo Gastroesofágico sintomático: 20 mg uma vez ao dia, por até 4 semanas.
- Esofagite erosiva (EE) por DRGE (tratamento): 20 mg uma vez ao dia, por 4 a 8 semanas. Se não houver resposta em 8 semanas, podem ser administradas mais 4 semanas. Em caso de recorrência, ciclos adicionais de 4 a 8 semanas podem ser considerados.
- Manutenção da cicatrização de EE: 20 mg uma vez ao dia (estudos controlados não se estendem além de 12 meses).
- Condições hipersecretoras patológicas (síndrome de Zollinger-Ellison, adenomas endócrinos múltiplos, mastocitose sistêmica): dose inicial de 60 mg uma vez ao dia; titular conforme necessidade individual. Doses diárias superiores a 80 mg devem ser divididas. Doses de até 120 mg três vezes ao dia foram administradas. Manter enquanto clinicamente indicado (alguns pacientes com ZE foram tratados por mais de 5 anos).
-
Adultos (intravenosa): [3]
- Uso geral (quando a via oral não está disponível): 40 mg IV uma vez ao dia.
- Síndrome de Zollinger-Ellison: dose inicial de 60 mg IV uma vez ao dia; doses superiores a 60 mg/dia devem ser divididas e administradas a cada 12 horas.
- Úlcera gástrica ou duodenal sem sangramento ativo: 40 mg IV uma vez ao dia.
- Úlcera gástrica ou duodenal com sangramento ativo: 40 mg IV a cada 12 horas.
- Profilaxia de aspiração de conteúdo gástrico durante anestesia geral: 40 mg IV, 1 hora antes da cirurgia. Caso a cirurgia sofra atraso superior a 2 horas, administrar dose adicional de 40 mg.
-
Pediátrico (oral): [1][2]
- Crianças acima de 1 ano de idade (esofagite de refluxo):
- Dose: 10 mg uma vez ao dia, administrada pela manhã com água ou suco de frutas (não leite). Crianças acima de 20 kg: 20 mg uma vez ao dia. Se necessário, a dose poderá ser aumentada, a critério médico, até no máximo 40 mg/dia.
- Crianças acima de 2 anos e com peso superior a 20 kg (DRGE sintomático, tratamento e manutenção de EE):
- Dose: 20 mg uma vez ao dia.
- Duração: até 4 semanas (DRGE sintomático) ou 4 a 8 semanas (tratamento de EE). Os estudos controlados de manutenção não se estendem além de 12 meses.
- Nota: A segurança e eficácia do omeprazol não foram estabelecidas em crianças para as seguintes situações: úlcera duodenal ativa, erradicação de H. pylori, úlcera gástrica benigna ativa e condições hipersecretoras patológicas. O uso intravenoso não é recomendado na faixa etária pediátrica, devido à escassez de dados de segurança. [2][3]
- Crianças acima de 1 ano de idade (esofagite de refluxo):
-
Administração: [1][2][3]
- A via oral deve ser utilizada sempre que possível. O omeprazol sódico IV é indicado quando a administração oral está impossibilitada.
- As cápsulas devem ser administradas antes das refeições, preferencialmente pela manhã em jejum, ingeridas inteiras com água. Não devem ser mastigadas ou esmagadas.
- Para pacientes com dificuldade para engolir, as cápsulas podem ser abertas e os microgrânulos misturados delicadamente com purê de maçã (não quente) ou pequena quantidade de suco de frutas ou água fria, sendo a mistura ingerida imediatamente após o preparo. Os microgrânulos não devem ser mastigados, amassados ou misturados com leite antes da administração. A mistura não deve ser guardada para uso posterior.
- A via intravenosa (omeprazol sódico 40 mg) é administrada por injeção IV direta lenta (velocidade de 2,5 a 4 mL/min) após reconstituição do pó liofilizado com os 10 mL do diluente específico que acompanha o produto. Nenhum outro tipo de diluente deve ser utilizado. A solução reconstituída deve ser utilizada em até 4 horas.
- Dose esquecida (cápsulas): As bulas consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico para as apresentações em cápsula.
Ajuste para Insuficiência Renal:
- Adultos (oral e IV): [2][3]
- Não é necessário ajuste de dosagem. Em pacientes com insuficiência renal crônica (clearance de creatinina entre 10 e 62 mL/min/1,73 m²), a disposição do omeprazol foi muito semelhante à de indivíduos saudáveis, embora tenha havido um ligeiro aumento na biodisponibilidade. A eliminação dos metabólitos diminui proporcionalmente ao clearance de creatinina, porém essa alteração não é considerada clinicamente significativa. O omeprazol não é removido por hemodiálise.
- Pediátrico: [2]
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste renal em pediatria.
Ajuste para Insuficiência Hepática:
- Adultos (oral): [2][4]
- A biodisponibilidade oral aumenta para aproximadamente 100% em pacientes com doença hepática crônica (Child-Pugh Classe A, B ou C), refletindo redução do efeito de primeira passagem. A meia-vida plasmática aumenta para cerca de 3 horas (versus 0,5 a 1 hora em indivíduos saudáveis) e o clearance plasmático reduz para aproximadamente 70 mL/min (versus 500 a 600 mL/min). Para a maioria das indicações, não há orientação de ajuste posológico explícito, mas as bulas recomendam supervisão médica adequada nesses pacientes. De forma específica, para a indicação de manutenção da cicatrização de EE (e para a população asiática com a mesma indicação), recomenda-se redução da dose para 10 mg uma vez ao dia.
- Adultos (IV): [3]
- A bula do omeprazol sódico injetável recomenda uso cuidadoso, com vigilância médica estrita e monitorização periódica da função hepática, dado o potencial de hepatotoxicidade e a diminuição do clearance plasmático nesses pacientes.
- Pediátrico: [2]
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste hepático em pediatria.
Classe:
- Inibidor da Bomba de Prótons (IBP); benzimidazol substituído. [2][4]
Farmacologia:
- Mecanismo de ação: [2][4]
- O omeprazol inibe de forma específica e dose-dependente a enzima Hâ º/Kâ º-ATPase (bomba de prótons) na superfície secretora da célula parietal gástrica, bloqueando a etapa final da produção de ácido. O efeito independe do tipo de estímulo e inibe tanto a secreção ácida basal quanto a estimulada. O fármaco não possui ação sobre receptores de acetilcolina e histamina.
- Início de ação e duração: [2][4]
- Após administração oral, o início do efeito antissecretor ocorre em aproximadamente 1 hora, com efeito máximo em cerca de 2 horas. A inibição da secreção é de cerca de 50% do máximo às 24 horas, e a duração total da inibição se estende por até 72 horas, muito superior ao esperado pela curta meia-vida plasmática, em razão da ligação prolongada à Hâ º/Kâ º-ATPase parietal. O efeito inibitório aumenta com doses repetidas uma vez ao dia, atingindo platô após aproximadamente 4 dias. Após a descontinuação, a atividade secretora retorna gradualmente ao longo de 3 a 5 dias.
- Farmacocinética: [2][4]
- Absorção: as cápsulas de liberação retardada contêm microgrânulos com revestimento entérico (o omeprazol é lábil ao ácido), de modo que a absorção se inicia após os grânulos deixarem o estômago. A concentração plasmática máxima ocorre em 0,5 a 3,5 horas. A biodisponibilidade absoluta oral é de cerca de 30 a 40% nas doses de 20 a 40 mg, devido principalmente ao metabolismo pré-sistêmico; aumenta para aproximadamente 65% no estado de equilíbrio após doses repetidas. A exposição sistêmica (Cmáx e ASC) aumenta de forma mais que proporcional à dose, refletindo farmacocinética não-linear (autoinibição do CYP2C19).
- Distribuição: ligação proteica de aproximadamente 95%, principalmente à albumina sérica e à glicoproteína alfa-1-ácida.
- Metabolismo: extensamente metabolizado no fígado pelo sistema CYP. A maior parte pelo CYP2C19 (formando hidroxiomeprazol, principal metabólito plasmático) e o restante pelo CYP3A4 (formando omeprazol sulfona). Os metabólitos são inativos. O omeprazol é inibidor do CYP2C19 dependente do tempo (resultando em autoinibição).
- Eliminação: aproximadamente 77% da dose é excretada na urina como metabólitos; o restante nas fezes, implicando excreção biliar significativa. A meia-vida plasmática em adultos jovens saudáveis é de 0,5 a 1 hora; em idosos, cerca de 1 hora; em hepatopatas, cerca de 3 horas.
- Farmacogenômica: [2][4]
- O CYP2C19 é uma enzima polimórfica. Aproximadamente 3% dos caucasianos e 15 a 20% dos asiáticos são metabolizadores lentos. Em indivíduos asiáticos, a exposição sistêmica ao omeprazol é aproximadamente 4 vezes maior do que em caucasianos.
- Efeito na gastrina sérica: [2][4]
- Os níveis séricos de gastrina aumentam nas primeiras 2 semanas de tratamento e retornam ao normal em 1 a 2 semanas após a descontinuação. O aumento de gastrina eleva a cromogranina A (CgA — marcador de tumores neuroendócrinos), podendo causar resultados falso-positivos nesse tipo de investigação.
- Populações especiais: [2]
- Idosos: clearance plasmático reduzido pela metade (250 mL/min) e meia-vida aproximadamente dobrada (1 hora), com biodisponibilidade aumentada. Não é necessário ajuste de dose.
- Crianças (2 a 5 anos, ≤20 kg): exposição sistêmica (ASC) menor do que em crianças de 6 a 16 anos ou adultos, a doses comparáveis por kg. Crianças de 6 a 16 anos apresentam exposição similar à de adultos.
Tipo de Receita:
- Apresentações orais (cápsulas 10 mg, 20 mg e 40 mg): [1][2][4]
- Receituário simples (receita branca comum). Todas as bulas indicam "Venda sob prescrição médica."
- Apresentação injetável (pó para solução injetável 40 mg): [3]
- Receituário simples (receita branca comum). "Venda sob prescrição médica. Uso restrito a estabelecimentos de saúde."
Indicações:
- Adultos (oral): [2]
- Tratamento a curto prazo da úlcera duodenal ativa.
- Tratamento a curto prazo da úlcera gástrica benigna ativa (4 a 8 semanas).
- Erradicação do H. pylori (em combinação com antibióticos) para reduzir o risco de recorrência de úlcera duodenal — em regime de terapia tripla (com amoxicilina e claritromicina) ou dupla (com claritromicina).
- Tratamento da DRGE sintomático (por até 4 semanas).
- Tratamento da esofagite erosiva (EE) por DRGE mediada por ácido (4 a 8 semanas).
- Manutenção da cicatrização de EE por DRGE.
- Tratamento de longo prazo de condições hipersecretoras patológicas (síndrome de Zollinger-Ellison, adenomas endócrinos múltiplos, mastocitose sistêmica).
- Proteção da mucosa gástrica contra danos causados por AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais). [1]
- Pediátrico (oral): [1][2]
- Crianças acima de 1 ano: esofagite de refluxo.
- Crianças acima de 2 anos e com peso >20 kg: DRGE sintomático; tratamento e manutenção da cicatrização de EE por DRGE mediada por ácido.
- Adultos (intravenosa): [3]
- Indicado quando a via oral está impossibilitada: úlcera péptica gástrica ou duodenal; esofagite de refluxo; síndrome de Zollinger-Ellison; profilaxia de aspiração de conteúdo gástrico durante anestesia geral em pacientes de risco.
Contraindicações:
- Hipersensibilidade conhecida ao omeprazol, aos benzimidazóis substituídos ou a qualquer componente da formulação. As reações de hipersensibilidade podem incluir anafilaxia, choque anafilático, angioedema, broncoespasmo, nefrite tubulointersticial aguda e urticária. [2][3][4]
- Uso concomitante com produtos contendo rilpivirina (ver Interações Medicamentosas). [2][4]
Efeitos Adversos:
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Comuns (≥1% e <10%): [2][3][4]
- Cefaleia, dor abdominal, náusea, diarreia, vômitos, flatulência, regurgitação ácida, infecção do trato respiratório superior, constipação, tontura, erupção cutânea, astenia, dor nas costas e tosse.
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Incomuns (≥0,1% e <1%): [1]
- Parestesia, sonolência, insônia, vertigem; elevação de enzimas hepáticas (ALT, AST, GGT, fosfatase alcalina e bilirrubina); dermatite, prurido, urticária; mal-estar.
-
Raros (≥0,01% e <0,1%): [1][2][4]
- Confusão mental reversível, agitação, agressividade, depressão, alucinações (especialmente em pacientes em estado grave); ginecomastia; xerostomia, estomatite, candidíase gastrointestinal; trombocitopenia, agranulocitose, pancitopenia; encefalopatia hepática (em pacientes com insuficiência hepática grave pré-existente), hepatite com ou sem icterícia, insuficiência hepática; artralgia, fraqueza muscular, mialgia; fotossensibilidade, eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), necrólise epidérmica tóxica (NET), alopecia; reações de hipersensibilidade graves (angioedema, febre, broncoespasmo, nefrite intersticial, choque anafilático); hiponatremia; lúpus eritematoso cutâneo subagudo (LECS).
-
Reações adversas graves — experiência pós-comercialização (frequência não determinada): [2][3][4]
- Nefrite tubulointersticial aguda; diarreia associada a Clostridium difficile; fraturas ósseas relacionadas à osteoporose (com uso prolongado ou em altas doses); lúpus eritematoso cutâneo (LEC) e sistêmico (LES); deficiência de cianocobalamina (vitamina B-12) com uso por mais de 3 anos; hipomagnesemia (podendo cursar com hipocalcemia e/ou hipocalemia, tetania, arritmias e convulsões); pólipos de glândulas fúndicas (com uso prolongado); pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA); reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS); distúrbios visuais irreversíveis (casos isolados com uso IV em altas doses em pacientes gravemente enfermos); alterações hematológicas (anemia hemolítica, leucopenia, neutropenia, leucocitose); hepatotoxicidade grave (necrose hepática, insuficiência hepática — alguns casos fatais).
Interações Medicamentosas:
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Clopidogrel: [2][4]
- O omeprazol inibe o CYP2C19, prejudicando a conversão do clopidogrel ao seu metabólito ativo, com redução de 41 a 46% na exposição ao metabolito ativo e consequente diminuição da inibição plaquetária. A interação persiste mesmo com administração com 12 horas de intervalo. Evitar uso concomitante; considerar terapia antiplaquetária alternativa.
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Antirretrovirais: [2][4]
- Rilpivirina: redução de 40% na ASC; uso concomitante contraindicado.
- Atazanavir: redução de 94% na ASC; evitar uso concomitante.
- Nelfinavir: redução de 36 a 92% na ASC; evitar uso concomitante.
- Saquinavir/ritonavir: aumento de 82% na ASC do saquinavir — monitorar toxicidade.
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Varfarina: [2][4]
- Potencial aumento do INR e tempo de protrombina, com risco de sangramento. Monitorar INR e ajustar a dose da varfarina conforme necessário.
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Metotrexato (principalmente em altas doses): [2][4]
- Pode elevar e prolongar os níveis séricos de metotrexato e seu metabólito (hidroximetotrexato), com risco de toxicidade. Considerar suspensão temporária do omeprazol.
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Substratos do CYP2C19: [2][4]
- Citalopram: aumento da exposição com risco de prolongamento do intervalo QT; limitar a dose de citalopram a no máximo 20 mg/dia.
- Cilostazol: aumento da exposição do cilostazol e de seu metabólito ativo; reduzir dose do cilostazol para 50 mg duas vezes ao dia.
- Fenitoína: potencial aumento da exposição; monitorar concentrações séricas.
- Diazepam: redução de 27% no clearance e 36% na meia-vida; monitorar sedação.
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Digoxina: [2][4]
- Aumento de ~10% na biodisponibilidade. Monitorar concentrações séricas.
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Tacrolimo: [2][4]
- Potencial aumento da exposição, especialmente em metabolizadores intermediários ou fracos do CYP2C19. Monitorar concentrações sanguíneas.
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Micofenolato de mofetila (MMF): [2][4]
- Redução de 52% no Cmáx e 23% na ASC do ácido micofenólico (AMF). Usar com precaução em pacientes transplantados recebendo MMF.
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Fármacos com absorção pH-dependente (cetoconazol, itraconazol, sais de ferro, erlotinibe, dasatinibe, nilotinibe): [1][2][4]
- O omeprazol pode reduzir a absorção desses fármacos pelo aumento do pH intragástrico.
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Claritromicina: [1][2]
- Administração concomitante aumenta a exposição ao omeprazol (ASC +89%) e à claritromicina. Relevante no contexto da terapia de erradicação do H. pylori.
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Voriconazol (inibidor combinado de CYP2C19 e CYP3A4): [2][4]
- Aumenta a exposição ao omeprazol em mais de 2 vezes. Normalmente não requer ajuste de dose; em pacientes com síndrome de Zollinger-Ellison, o ajuste pode ser considerado.
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Indutores de CYP2C19 ou CYP3A4 (erva de São João, rifampicina): [2][4]
- Reduzem substancialmente as concentrações de omeprazol. Evitar uso concomitante.
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Investigações diagnósticas para tumores neuroendócrinos: [2][4]
- O omeprazol eleva os níveis de CgA (cromogranina A), podendo causar falso-positivo. Suspender o tratamento por pelo menos 14 dias antes da dosagem de CgA.
Gestação:
- Anvisa:
- Bulas das apresentações orais (cápsulas 10 mg, 20 mg e 40 mg): Categoria de risco C — estudos em animais revelaram evidências de dano fetal (letalidade embrionária dose-dependente em coelhos; toxicidade embrionária/fetal e pós-natal em ratos). Não há estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas. Dados epidemiológicos disponíveis em humanos não demonstram risco aumentado de malformações congênitas graves no primeiro trimestre. O medicamento não deve ser utilizado durante a gravidez sem orientação médica. [1][2][4]
- Bula da apresentação injetável (omeprazol sódico IV): Categoria de risco B — estudos em animais de laboratório não demonstraram evidências de risco fetal com a administração de omeprazol durante a gravidez e lactação; não foram observados toxicidade fetal nem efeitos teratogênicos. Não deve ser administrado quando houver gravidez suspeita ou confirmada, a não ser que os benefícios do tratamento superem os riscos potenciais para o feto, a critério médico. [3]
- Nota: há divergência na categoria de risco gestacional entre as apresentações orais (categoria C) e a apresentação injetável (categoria B), conforme registrado em cada bula. Essa discrepância, presumivelmente relacionada a diferenças na metodologia dos estudos em animais utilizados como referência por cada fabricante, deve ser considerada na tomada de decisão clínica.
Lactação:
- Anvisa (apresentações orais — bulas Germed e Gastrium): [1][2][4]
- Dados limitados sugerem que o omeprazol pode estar presente no leite materno. Concentrações de omeprazol foram detectadas no leite após administração oral de 20 mg; o pico de concentração no leite foi menor do que 7% do pico sérico materno. Não existem dados clínicos sobre os efeitos no lactente amamentado ou na produção de leite. O risco potencial de reações adversas sérias no lactente (incluindo o potencial tumorogênico identificado em estudos de carcinogenicidade em ratos) deve ser ponderado em relação à importância clínica do medicamento para a mãe e aos benefícios do aleitamento materno. O uso durante a lactação depende da avaliação e acompanhamento médico. [1][2][4]
- Anvisa (apresentação injetável — bula Blau): [3]
- O omeprazol sódico IV não deve ser administrado durante a lactação, a não ser que os benefícios do tratamento superem os riscos potenciais. Uso criterioso no aleitamento; o uso depende da avaliação e acompanhamento médico. [3]
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
As bulas das cápsulas consultadas não dispõem de orientações específicas sobre administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral. Entretanto, fontes técnicas confiáveis permitem as seguintes orientações:
- Quando o paciente não puder utilizar a via oral nem deglutir as cápsulas, a alternativa preferencial é a apresentação injetável (omeprazol sódico IV). [3]
- Para pacientes em uso de sonda nasogástrica ou nasoenteral em que a via oral ainda seja viável, a administração das cápsulas por sonda é factível, desde que seguida a técnica adequada: [6][7]
- Abrir a cápsula e dispersar os microgrânulos intactos em água ou suco de fruta ácido (sem misturar com leite), administrando imediatamente pela sonda. Para sondas de menor calibre, recomenda-se a alternativa de dispersar os microgrânulos em 10 mL de solução de bicarbonato de sódio 8,4%, aguardar cerca de 30 minutos para a dissolução dos grânulos e agitar antes da administração, de modo a proteger o fármaco da degradação ácida.
- Para a passagem de microgrânulos intactos, é necessário sonda com calibre igual ou superior a 14 French (14F); sondas mais finas apresentam risco de obstrução e perda do medicamento. [7]
- Os microgrânulos não devem ser triturados ou amassados, pois o revestimento entérico é essencial para que o fármaco chegue intacto ao intestino e não seja inativado pelo ácido gástrico. Caso a trituração seja inevitável (sondas de calibre muito fino), os microgrânulos devem ser dispersos em meio alcalino (solução de bicarbonato de sódio). [6][7]
- É recomendável lavar a sonda com pelo menos 5 a 10 mL de água antes e após a administração. [6]
Fontes:
[1] Bula do Profissional de Saúde. Omeprazol (cápsula dura de liberação retardada 10 mg). Germed Farmacêutica Ltda. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[2] Bula do Profissional de Saúde. Omeprazol (cápsula dura de liberação retardada 20 mg e 40 mg). Germed Farmacêutica Ltda. Aprovada em 03/10/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[3] Bula do Profissional de Saúde. Omeprazol Sódico (pó para solução injetável 40 mg). Blau Farmacêutica S.A. Aprovada em 06/03/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[4] Bula do Profissional de Saúde. Gastrium® (omeprazol) — cápsulas duras de liberação retardada 40 mg. Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. Atualizada em 22/01/2026. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[5] InfoSUS — Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina. Omeprazol. Atualizado em 04/03/2026. Disponível em: http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php?title=Omeprazol
[6] Prefeitura Municipal de Curitiba — Secretaria Municipal da Saúde. UPA: Uso Racional de Omeprazol Injetável. Disponível em: https://saude.curitiba.pr.gov.br/images/USO%20RACIONAL%20OMEPRAZOL%20INJET%C3%81VEL%20NA%20UPA.pdf
[7] Laboratório de Farmacotécnica — Universidade Federal do Ceará (UFC). Monografia: Omeprazol. Disponível em: https://farmacotecnica.ufc.br/pt/farmatec/secao-1/liquidos-orais/o/omeprazol/


